O Fim da Guerra

Portanto, orais vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus…”  Evangelho

Pai nosso que estás nos céus… Assim começa o Mestre a oração que ensinou aos seus discípulos.

Toda a cristandade sabe disso. As múltiplas igrejas repetem assiduamente a frase em apreço. Nas ricas catedrais, no templo humilde, na capela rural e no seio dos lares, aquela sentença constitui o estribilho recitado em todos os tons, oportunidades e emergências. Nos dias festivos como nos dias calamitosos de angústia e de aflição, baila nos lábios dos grandes e dos pequenos, dos velhos e dos moços o surrado e eterno refrão. Continue lendo

Os Problemas da Vida

Podemos dizer, por hábito e força de expressão, que a vida humana encerra dois problemas – o físico e o espiritual. Daquele, os homens não se têm descuidado, pois constituiu sempre, através de todos os tempos, a sua máxima preocupação. Quanto ao segundo, eles o descuram lamentavelmente, esquecendo-se de que é por isso que os outros problemas – os materiais – continuam sem solução, apesar de tratados com tanto zelo e solicitude.

A inversão de valores, nesse particular, tem sido fatal à Humanidade. Do pão para a boca jamais o homem olvidou. Quando lhe falta ou escasseia, ele prorrompe em protestos e lamentos, entregando-se ao desespero. Da roupa, para cobrir o corpo, também nunca desdenhou, empregando engenho e arte para consegui-la sob as formas mais variadas e apropriadas a cada região do globo e a cada estação do ano. O teto para abrigar-se tem sido, a seu turno, objeto de suas cogitações constantes, dedicando a essa questão o melhor do seu tempo e de sua inteligência. Na pecúnia, nunca deixou de pensar, sendo que este elemento absorve sua mente quase por completo, pois a pecúnia é a mola a que tudo obedece neste mundo. Continue lendo

A Verdade e o Dogma

O dogma da redenção humana mediante a efusão do sangue do Cristo, consistindo a sua morte no madeiro o epílogo da missão que lhe fora confiada, carece, como em geral sucede a todos os dogmas, de fundamento.

Para demonstrar a assertiva, é bastante compará-lo com a realidade, isto é, com o fato de Jesus nos haver dado a sua vida no sentido de consagrá-la à nossa emancipação espiritual, como fazem as mães com relação à criação e educação dos seus filhos.

O dogma em apreço prende-se a um sucedimento que se deu há perto de vinte séculos, do qual temos conhecimento através da tradição e dos relatos evangélicos. É um caso pretérito, longínquo, cujo eco histórico logrou chegar até nós. Continue lendo

Não se Turbe o Vosso Coração

“Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, crede também em mim.”

Evangelho

O coração humano vive inquieto e aflito, precisamente porque carece de fé, a virtude que gera e mantém a serenidade de espírito, a segurança inabalável, qualquer que seja a conjuntura em que nos encontraremos.

Por isso, o médico do corpo e da alma preceitua o remédio que cura todas as tribulações: Crede em Deus, crede também em mim. Continue lendo

O Grande Pecado

 “Declarou, então, Jesus aos sacerdotes:  Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes vos precederão no reino de Deus.  Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe destes crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram…”

Evangelho

 Como vemos, o intérprete da Soberana Justiça classifica a falta dos sacerdotes mais grave que as das meretrizes e os publicanos, sendo que estes, no exercício do fisco, furtavam os contribuintes exigindo maior imposto que o estabelecido na lei.

Mas, afinal, que espécie de delito praticavam os sacerdotes cuja gravidade o sábio Mestre reputa maior que o pecado das decaídas e dos publicanos? Continue lendo