O Lar – A Escola das Almas

O ideal seria dizermos: “Lá em Casa, na nossa Família temos um Lar”.

Ao tratarmos desse importante assunto, pretendemos estabelecer paralelos, que venham a esclarecer a realidade exata de cada termo, devido a algumas vezes nos confundirmos, trocando uns pelos outros.

O que é casa? A casa é a habitação, o cimento, madeira, tijolos, móveis.

O que é a família? São Pessoas aparentadas que vivem em geral, na mesma casa, pai, a mãe, os filhos, genro, nora, avós, etc. A família é um grupo de Espíritos necessitados, em compromisso inadiável, para reparação e crescimento. Existem vários tipos de família conforme a afinidade entre os espíritos que as integram. As afeições reais sobrevivem, permanecendo indissolúveis e eternas. Independente do tipo de família que temos, vamos observar a importância desta instituição e como convivermos melhor dentro dela.

O que é lar? O lar é o sentimento de união que envolve a família em prol da harmonia doméstica. Temos então dedicação, renúncia, silêncio, zelo, e tantos outros sentimentos que devotamos àqueles que se unem pela eleição afetiva ou através do impositivo consangüíneo.

Sob esta ótica, podemos então ter uma casa, uma família, mas não termos um lar, se ali não há entendimento.

FUNÇÕES DA FAMÍLIA – (Numa visão sociológica).

BIOLÓGICA: Procriação de filhos para manutenção da espécie.

SOCIALIZAÇÃO: Fornecer condições aos novos seres, de relacionarem-se com a sociedade, preparando-os para a vida.

ECONÔMICA: Transmite noção de valores, comércio, propriedade, herança. Conhecimentos necessários ao crescimento e sustentação econômica das sociedades.

CULTURAL: A transmissão de educação e saber na perpetuação cultural e acompanhamento do progresso, embora não seja exclusividade da família, hoje temos rádio, tv, jornais, revistas, internet, e as ruas.

PSICOLÓGICA: A família é a base na qual se cria a nossa natureza como pessoa nos dando segurança, firmeza e confiança.

ESPIRITUAL: Educação do Espírito (através da orientação); Formação de valores regenerativos (corrigindo tendências equivocadas); Oportunidade evolutiva (adquirindo novos conhecimentos); Desenvolvimento da afetividade e do amor para atingir a dimensão da família universal (desarmando animosidades).

Mas as dificuldades de relacionamento familiar não são de hoje.

O Evangelho de João (C7: V6) afirma que “nem os próprios irmãos de Jesus acreditavam nele”. Mateus (C12: V46), nos relata uma passagem do Cristo:

“Enquanto Jesus ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe.

–  Disse-lhe alguém: Mestre, eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo.

–  Jesus, fitando o seu interlocutor com aquele olhar doce e sereno respondeu: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?

–  E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe…”

Jesus não estava renegando os laços familiares, mas aproveitando a oportunidade para nos trazer mais um de seus ensinamentos, dizendo-nos que existem as famílias espirituais e as famílias consangüíneas. O Mestre considerou seus apóstolos como sendo seus irmãos espirituais, diferentes dos seus irmãos carnais, aos quais estava meramente ligado por laços consangüíneos. Esta passagem busca incentivar a todos nós, a realizarmos um esforço de progresso no bem comum.

Ao demonstrar que o homem é na realidade um Espírito em aprendizado na Terra, a Doutrina Espírita ampliou o conceito de família. Situando-a em bases espirituais o Espiritismo nos apresenta a família como instrumento de progresso, e oferece ao homem um programa de desenvolvimento que pretende enfocá-lo em suas dimensões biológicas, psicológicas, sociais e espirituais. E dentro desse programa são definidos como objetivos gerais: A integração do ser consigo mesmo; A integração com o próximo; A integração com Deus.

O desenvolvimento dessas faculdades pelo contato social tem início no ambiente doméstico aonde o Espírito dá continuidade ao seu aprendizado intelecto-moral. O Espírito reencarnado no seio familiar não é considerado inexperiente, é uma individualidade que traz consigo seus vícios e virtudes de passado. Por isso o processo de desenvolvimento não é começado, mas continuado a cada nova experiência de renascimento.

A perspectiva de integração global do ser consigo mesmo, com o próximo e com Deus, traz para a família uma responsabilidade maior. Traz o conceito de Família Universal, que supõe convívio fraterno entre todos os Espíritos, encarnados e desencarnados, numa cooperação mutua objetivando o progresso conjunto dos seres e das coisas.

Ao Espiritismo coube a tarefa de ampliar o sentido da sociedade humana e fazê-la entrar nessa nova era de progresso moral, aonde os erros de passado se resolvam não mais contra o indivíduo, mas a seu favor e por ele mesmo.

Com a percepção de que “Há no homem alguma coisa a mais, além das necessidades físicas” vem o Espiritismo convidar o indivíduo à vivência do amor verdadeiro cujo exercício começa no ambiente familiar. Exercita-se amizade, carinho, compreensão, cooperação, liberdade, perdão, respeito, solução de conflitos, diálogo franco e aberto, como instrumentos de burilamento.

Surge-nos então a pergunta: Mas de que maneira podemos colocar tais idéias em nossa prática diária, se na família, convivemos com seres tão diferentes e antagônicos?…

Dando o primeiro passo para que a família seja mais feliz. Comece com pequenos gestos, sorria, comprimente os familiares, ore por eles, faça pequenas gentilezas no lar, elogie (com sinceridade), ofereça ajuda. O ideal seria tratarmos os nossos familiares como tratamos às visitas.

No final de um dia de trabalho, o marido chega em casa.

Marido: Hum! Que cheirinho gostoso tem bolo? E como quem conhece o seu lugar na casa pergunta – Quem vem nos visitar?

Mulher: A comadre vem nos visitar, e vai já tirando o olho deste bolo! Você não viu que a casa está limpa? Vá tirar este calçado imundo, ralha a mulher como é de costume.

Chega a comadre e diz: Que casa limpinha, vou tirar o calçado para entrar.

Mulher: Não comadre, não precisa, a casa está suja mesmo, e dá um olhar feroz ao seu marido.

Vão todos para a sala, onde é servido o delicioso bolo.

Comadre: Me deu uma cede repentina, podes me trazer um pouco de água?

Mulher: Temos um suco delicioso, espera que eu já lhe trago.

Marido: Traz para mim também.

Mulher: Deixa de ser preguiçoso homem, levanta daí e vá buscar, diz a mulher com aspereza…

E, assim é que tratamos a maioria de nossos familiares, infelizmente, como se estivéssemos cansados de sua presença…

Além da eliminação das “arestas”, fruto de nossa inferioridade, a vida em família é, também, um ponto de referência que nos ajuda a manter contato com a realidade. As pessoas de nosso convívio apontam nossas falhas, ajudando-nos a corrigirmos os desvios de conduta.

Procuremos meditar sobre essas reclamações, será que eles não tem razão?

Jamais construiremos uma comunidade segura e tranqüila sem que o lar se aperfeiçoe. A paz do mundo começa exatamente sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendermos a viver em paz entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações.

O melhor remédio para curar o egoísmo é viver em família. Porque no lar nós vamos compartilhar a vida com pessoas diferentes de nós. Podemos dar como exemplo, um filho que gosta de estudar, outro que não suporta um livro. A esposa prefere férias no litoral, o marido gosta do campo. E todos estão reunidos para um “lar, doce lar”.

A família sadia é a que lida com várias verdades possíveis e não com um comportamento em bloco. E necessário haver interesse sobre como cada um se sente nesse convívio e quais as suas necessidades. Respeitar a individualidade característica de cada ser faz parte de uma convivência saudável e harmoniosa. O lar é o lugar sagrado que Deus concedeu às criaturas para que elas pudessem construir os elos do amor que representam o verdadeiro sentido e significado do Evangelho de Jesus.

A nossa conduta fora de casa modifica-se quando temos algum problema dentro da família. Quando começamos o dia com desavenças no lar, ainda que de pequena monta, nosso dia parece que não engrena. Parece que está amarrado, dificultando o nosso deslanche. E aquela desarmonia familiar tende a se reproduzir fora do lar, seja no trânsito, no trabalho ou na escola. Se tivermos harmonia em casa, tudo conspira a nosso favor, sentimos que somos amados, queridos por nossos familiares, e aí o nosso comportamento no meio social tende a ser muito melhor, pois temos uma grande retaguarda de amor em nossa família. Sem a família não há evolução espiritual, ao menos em nosso atual estágio evolutivo.

Na família é que nós encontramos as nossas melhores companhias. Estamos reencarnados entre aqueles espíritos mais indicados ao nosso progresso espiritual. Eles nos trazem as lições ainda não aprendidas. Diante daquele familiar que representa um problema, indague-se qual a lição que a vida esta me trazendo. Paciência? Aceitação? Perdão? Doação?

Portanto vamos amar nossa família do jeito que ela é (esforçando-nos para que ela melhore). E se eles não são aquilo que gostaríamos que fossem, lembremo-nos de que nós podemos também não ser aquilo que eles esperavam.

Além de esclarecer os aspectos morais do Cristianismo sob nova ótica, o Espiritismo nos mostra a necessidade do diálogo franco; a prudência de não apontar a poeira no olho do próximo quando no nosso encontra-se um cisco enorme; a urgência de utilizarmos o perdão como veículo para manutenção do nosso próprio equilíbrio.

Há pessoas (espíritas!) que se opõem à evangelização infantil, alegando que é melhor dar liberdade de escolha em matéria de religião. Quem assim pensa, quão pouco entende da Doutrina, pois está analisando apenas a parte religiosa de seu tríplice aspecto. O Espiritismo não é um amontoado de dogmas nos quais acreditamos cegamente a ser impostos às crianças. O espiritismo é uma filosofia de vida, é uma forma de enxergar a vida. É uma resposta científica, filosófica e moral às dúvidas existenciais do ser. E justamente por essa ótica que é possível fazer os filhos participarem dos problemas da família. É através do exemplo diário, da convivência equilibrada da família com as dificuldades que todos nós enfrentamos, que as crianças aprendem com maior eficácia o valor da fé, da paciência e da perseverança.

Através do estudo do Espiritismo, compreendemos os problemas existenciais, os valores reais da vida, os motivos de nossos sofrimentos e como podemos nos libertar. Além disso, a Doutrina Espírita nos oferece a prece; o passe e a reflexão elevada, que aliados à nossa transformação íntima nos auxiliam na superação de dificuldades.

No princípio, dissemos que poderíamos ter uma casa, uma família, mas não termos um lar, se ali não houvesse entendimento. “Harmonia no lar” é a grande tarefa que se nos apresenta, pedindo esforço e dedicação de cada um em prol do bem comum. É um trabalho de todas as horas.

O instrumento ideal para aproximar os familiares é a oração em família. A prática do Evangelho no Lar, num dia marcado, é o cultivo do Evangelho no próprio coração das criaturas. Sintonizemos com essa fonte inesgotável para vencermos (em grupo) os obstáculos do caminho, e para conseguirmos forças e orientação para a construção de um futuro melhor para nós e para a Humanidade.

O ser que não tem uma crença e vive apenas para aproveitar os prazeres do mundo, é como um barco sem motor e sem velas, à mercê dos ventos e das correntes marítimas.

À luz da Doutrina Espírita O MELHOR É CRESCER EM FAMÍLIA, tendo Jesus por companheiro.

Autor:  João Batista Armani

Bibliografia:

·         O Melhor é Viver em Família – André Henrique (artigo).

·         Família – Cristiane Bicca (artigo).

·         Bíblia

Site:  http://www.espirito.org.br

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Amar os Inimigos

Jesus foi a alma mais sublime que desceu ao orbe terreno, para nos apresentar a mensagem libertadora do Evangelho. Foi com dificuldades e sofrimentos que viveu num tempo de perseguição e profunda ignorância, tentando abrir os olhos humanos para a verdade imorredoura do Espírito. Cada momento de sua vida pública é recheado de ensinamentos que apontam caminhos para a verdadeira felicidade. Mas de que felicidade dizia Ele?

O homem, sem compreender o real sentido de todas as suas lições, procurou adaptá-las à sua maneira de ver e entender as coisas, ou seja, a uma visão niilista da vida onde todas as coisas se limitam a uma única existência, diminuindo a extensão e empobrecendo os seus ensinamentos, dando aos ensinamentos de Jesus um caráter mais de sofrimento do que de felicidade. Qualquer pessoa que compreenda a vida como o curto período existente entre o nascer e o morrer, terá grandes dificuldades em compreender e aceitar o Evangelho, pois ele trata principalmente das coisas que vão além da existência corpórea, reservando a ela a felicidade verdadeira e eterna.

Sua missão na Terra foi a de convocar as almas que aqui padecem a uma conduta redentora, através da correção de suas imperfeições e da melhoria de sua condição espiritual, que já não se processaria conforme os costumes antigos ou segundo ritos pagãos, mas pela transformação moral das criaturas, direcionando-as à perfeição. Neste sentido Jesus foi magnânimo, pois além do discurso ele ofereceu o exemplo, vivendo aquilo que pregava plenamente, demonstrando ser possível viver esta nova experiência.

A perfeição é um atributo de Deus, portanto crer que nós possamos ser perfeitos no sentido literal do termo, seria admitir que poderíamos atingir a igualdade com Deus, o que não é possível. Mas a nós, criaturas, é facultado a proximidade com a Divindade, conforme observamos em Jesus, e é a esta perfeição que ele nos convida, sendo a meta para a nossa felicidade.

Frequentemente os ensinamentos de Jesus conduzem-nos ao amor, em especial ao amor pelo próximo, colocando-o como a condição básica para atingirmos a perfeição. Isto porque em princípio o amor é o resultado de todas as virtudes, dando a quem o possua os elementos primários que caracterizam a perfeição. Mas diferente de tudo o que já se havia dito, Jesus ensina-nos a amar o nosso inimigo, o que para a idéia niilista é um absurdo, pois como se pode amar quem nos odeia, quem nos deseja mal? É justamente nisto que podemos observar a grandiosidade do Evangelho, pois esta é a expressão máxima do amor traspassando os limites familiares, de amizade ou de convivência, derrubando o preconceito, a ignorância e principalmente o orgulho e o egoísmo que são a expressão maior das imperfeições que possuímos.

Estes ensinos que são direcionados a alma, conseguiram com o pouco uso que a humanidade faz dele, revolucionar o cenário humano, pois basta comparar a situação dos países onde predomina a sua idéia com os que adotam outro líderes que veremos, a discrepância existente entre uns e outros. Sem que se tenha atingido a plenitude dos ensinos de Jesus os países cristãos conseguem ser mais justos, desenvolvidos e humanos que os outros em geral. Mas isto é uma expressão material indigna da verdade cristã, pois a vivência plena do Evangelho fará do nosso mundo um ambiente pacífico e desenvolvido e no plano espiritual nos concederá o equilíbrio e a felicidade verdadeira.

Aquele que conseguir amar ao seu inimigo, fazer bem ao que lhe tem ódio e orar pelo que lhe calunia, certamente terá atingido o amor e estará dando um grande passo para a felicidade, superando a sua imperfeição.

ESE – Capítulo XII, item 1, 2 e 3 Comentários: Marco Nogarotto
Fonte:  Site Espiritismo para Iniciantes

A Divindade de Jesus

Jesus Cristo (33)

Tentaremos, com este estudo, mostrar que esta questão é importante para nós os Cristãos.

Se tivermos a Jesus como o próprio Deus, é-nos difícil seguir seus ensinos, exemplificados em suas ações, pois tudo o que fez não servirá para nós como modelo de como fazer ou agir, visto ter partido de um ser que tudo pode, seria algo inatingível para nós os mortais. Por outro lado, com o conhecimento que vamos adquirindo através de estudos, vemos, como iremos demonstrar, uma perfeita consonância com os missionários divinos de religiões não cristãs, e com isto a crença em nossa religião fica bem abalada. E se, ao contrário, o colocarmos na condição de homem, ficaria muito mais fácil seguir seus exemplos, pois, de igual para igual, encontraremos forças para aplicar os seus ensinos.

Mas afinal, quando Jesus foi considerado Deus? Desde o início do cristianismo? O que pensavam seus discípulos sobre o assunto? O que o povo e Ele mesmo pensavam?

Para respondermos essas perguntas, primeiramente iremos recorrer ao Evangelho.

a) O que o povo pensava

Mt 16,13-14: “Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por ai as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista, outras que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’“.

Mt 26,67-68: “Então, cuspiram no seu rosto e cobriram-no de socos. Outros lhe davam bordoadas. E lhe diziam: ‘Mostra que és profeta, ó Cristo, advinha quem foi que te bateu?’”

Jo 7,40: “Muitos daquela gente que tinham ouvido essas palavras de Jesus afirmavam: ‘Verdadeiramente ele é o profeta’“.

Jo 9,17: “Perguntaram ainda ao cego: ‘Qual é a tua opinião a respeito de quem te abriu os olhos?’ Respondeu: ‘É um profeta’“.

b) O que os discípulos pensavam

Lc 24,19 “… Jesus de Nazaré foi um profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e do povo”.

At 2,22: “Homens de Israel, escutai o que digo: ‘Jesus de Nazaré foi o homem credenciado por Deus junto a nós com poderes extraordinários, milagres e prodígios. Bem sabeis as coisas que Deus realizou através dele no meio de vós’”.

c) O que dizia Jesus

Lc 13,33: “Entretanto devo continuar meu caminho hoje, amanhã e no dia seguinte, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém”.

Jo 8,40: “… Procurais tirar-me a vida a mim que sou homem, que vos digo a verdade que de Deus ouvi”. …

Mc 6,4-5: “Mas Jesus lhes dizia: ‘Um profeta só deixa de ser honrado em sua pátria, em sua casa e entre seus parentes. E não podia ali fazer milagre algum’”. (Argumento que utilizou para justificar por que Ele não conseguia fazer milagres em Nazaré).

Observamos, assim, que o povo e os seus discípulos acreditavam que Jesus era um profeta, o que foi confirmado pelo próprio Jesus.

Na passagem de Jo 14,12-13, ele diz: “Eu vos afirmo e esta é a verdade: quem crê em mim fará as obras que eu faço. E fará até maiores, porque vou ao Pai, e o que pedirdes ao Pai em meu nome eu farei, para que o Pai seja glorificado no filho“.

Se seguirmos a linha de raciocínio que Ele seja Deus, nós também seríamos deuses, pois segundo suas próprias palavras, poderíamos fazer o que ele fez e até mais. Vemos que não há como considerá-lo Deus.

A base central desta linha de pensamento de que Ele era Deus, basicamente vamos encontrá-la em Jo 10,30: “Eu e o Pai somos um”. Com isto chegaram à conclusão de que se o Pai é Deus e Jesus sendo um com o Pai, por conseguinte também seria Deus. Conclusão, digamos apressada é o dogma da Santíssima Trindade. Mas somos levados a crer, que esta trindade é incoerente, pois não pegaram o sentido da frase, apegaram-se à letra. Mas por que não tiveram a mesma linha de pensamento nesta outra passagem de João (17,20-23)? – “Não rogo somente por eles, mas também por todos aqueles que hão de crer em mim pela sua palavra. Que todos sejam um! Meu pai, que eles estejam em nós, assim como tu estás em mim e eu em ti. Que sejam um, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e que os amaste como tu me amaste”. Não seria o caso de dizer então que os discípulos eram deuses?

Em outras passagens, Jesus se coloca na condição de subordinado a Deus, prestando-lhe obediência e cumprindo-lhe a vontade. Não há como negar que quem é subordinado está sob ordens de alguém que lhe é superior, vejamos:

Jo 4,34: “Jesus afirmou: ‘Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou a levar a cabo a sua obra’”.

Jo 5,19: “… Eu vos afirmo e esta é a verdade: o Filho nada pode fazer por si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer”.

Jo 5,30: “Não posso fazer nada por mim mesmo. Julgo segundo o que ouço; e o meu julgamento é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

Jo 6,37-38: “Tudo o que o Pai me dá, virá a mim e não jogarei fora o que vem a mim, porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

Jo 14,28: “Se me amásseis, vos alegraríeis de que eu vá ao Pai, porque o Pai é maior do que eu”.

Nessa última passagem, é bem taxativa a superioridade do Pai sobre Jesus. Não há como contestar.

A questão da divindade de Jesus, rejeitada por três concílios, dos quais o mais importante foi o de Antioquia (269) foi, em 325, proclamado pelo de Nicéia. Após a declaração de que Jesus era Deus, vem para encaixá-lo nada mais foi que uma cópia da base fundamental de outras religiões, bem mais antigas que o Cristianismo. Podemos citar as que constam do Livro O Redentor de Edgard Armond:

Brahma, Siva e Vischnu – dos hindus

Osíris, Isis e Orus – dos egípcios

Ea, Istar e Tamus – dos babilônios

Zeus, Demétrio e Dionísio – dos gregos

Orzmud, Arimam e Mitra – dos persas

Voltan, Friga e Dinas – dos celtas

Achamos muito interessante o estudo do Dr. Paul Gibier (O Espiritismo –o faquirismo ocidental) em que ele coloca: “Uma das analogias mais notáveis do Catolicismo, não com o Budismo, mas com Bramanismo, encontra-se em uma das encarnações de Vischnu (filho de Deus) sob a forma de Krischna”.

“Krischna, que alguns autores escreviam Christna ou Kristna, foi concebido ‘sem pecado’, seu nascimento foi anunciado por profecias numerosas e muito antigas. Sua mãe Devanaguy, o concebeu por obra de um Espírito, que lhe apareceu sob os traços de Vischnu, segunda pessoa da Trindade Hindu. Segundo a tradição Hindu e o ‘Bhagavedagita’, anunciando uma profecia que ele destronaria seu tio, o tirano de Madura, este último mandou encarcerar sua sobrinha Devanaguy, que foi libertada por Vischnu; então o tirano mandou assassinar em todos os seus estados as crianças do sexo masculino nascidas na mesma noite em que Krischna viu a luz (grifo do original). Mas o menino foi salvo por milagre, e, 3500 anos mais ou menos antes de nossa era, ele pregava a sua doutrina. Depois de converter os homens, morreu de morte violenta as margens do Ganges, segundo ordens de Brahma (Deus, o Pai), para realizar a redenção dos homens, como lhes fora prometido”.

Parece que tudo se encaixa na tradição cristã a respeito de Jesus, talvez até fosse necessário, considerando a cultura da época, torná-lo um Deus, para que as pessoas pudessem acreditar em seus ensinos, entretanto, achamos, que para os dias de hoje isto poderá causar mais incrédulos, por uma coisa bem simples é que o homem moderno coloca a razão e a lógica como base para acreditar ou não em algo, e agindo assim também em relação à crença religiosa, terá uma fé inabalável.

Com relação a Jesus, poderemos afirmar com absoluta certeza que Ele era um ser superior a nós humanos, sem, entretanto, chegar a ser um Deus, principalmente pelos seus ensinos e exemplos de vida, virtudes essas que serão o nosso passaporte para o “Reino dos Céus”, pois somente através Dele é que chegaremos ao Pai, conforme suas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão através de mim” (João 14,6).

3.12 – Ressurreição

No dia 18.04.96 o jornal Estado de Minas, publicou na página 17 a coluna “Um dia no Mundo”, o seguinte texto:

RESSURREIÇÃO

A britânica Maureen Jones, 59 anos, foi oficialmente declarada morta por um médico depois de sofrer um ataque de diabetes. Momentos depois, cumprindo função de rotina, policiais examinaram o corpo e, mexendo em suas pernas, a ressuscitaram. Este foi o segundo caso deste tipo neste ano na Grã-Bretanha. Em janeiro, a mulher de um fazendeiro, Daphne Banks, 61 anos, foi encontrada viva dentro de um necrotério, na região central do país, depois que um médico a declarou morta. Mais tarde, Daphne disse que estava tentando se matar.

Este texto levou-me a pensar. Realmente acontece a ressurreição, onde a alma da pessoa que morreu voltaria a reviver no mesmo corpo? Ou estas mortes aparentes ainda não estavam no domínio da ciência? O que as religiões dizem a respeito.

Pela maioria das correntes religiosas tradicionais, todos nós ressuscitaremos um dia em nosso corpo físico, e após isto, seremos julgados, sendo o céu ou o inferno o nosso destino, conforme tenhamos praticado o bem ou o mal. Nelas a crença é da unicidade da existência humana, ou seja, nós só temos esta uma única vida em contrapartida com a reencarnação, ou várias vidas sucessivas, afirmada pela Doutrina Espírita.

Perguntaríamos: seria possível o corpo físico ser recomposto, para receber novamente o espírito que o animava? Entretanto, a Ciência vem nos dizer que o nosso corpo físico é composto de entre outros, dos seguintes elementos: oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono, e que após a sua decomposição, estes elementos se dispersam para servirem de formação a novas matérias, sendo cientificamente impossível sua recomposição. Bem sabemos que a ciência é o conhecimento humano que busca descobrir as leis que regulam tudo no Universo, sendo, por conseguinte, estas leis, leis naturais ou Leis Divinas.

O apóstolo Paulo não possuía nenhuma dúvida sobre o assunto, porque teve a percepção clara de que não é o corpo físico que retorna à vida, vejamos em 1Cor 15,35-44: “Mas, dirá alguém, como é que os mortos vão ressuscitar? Com que corpo virão? Louco! O que semeias não reviverá, se não morrer antes. E o que semeias não é o corpo a se formar, mas grão nu, de trigo, por exemplo, ou de qualquer planta. E Deus lhe dá um corpo que bem entende, e a cada semente, o seu corpo apropriado. Toda a carne não é a mesma carne, mas uma é a carne dos homens, outra a carne das feras, outra, a carne das aves, outra, a dos peixes. Há corpos celestes e corpos terrestres; mas um é o esplendor dos corpos celestes e outro o dos terrestres. Um é o brilho do Sol e outro o brilho das estrelas. E uma estrela brilha diferente de outra estrela. Assim também na ressurreição dos mortos: semeado na podridão, o corpo ressuscita incorruptível. Semeado na humilhação, ele ressuscita glorioso. Semeado frágil, ressuscita forte. E semeando um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual. Como há um corpo animal, há também um corpo espiritual”.

Não faz ele a nítida distinção entre os dois corpos que possuímos, um o corpo físico e outro o corpo espiritual, sendo que é com este último que iremos ressuscitar no mundo espiritual ao qual retornaremos após a morte? Tão certo Paulo estava disto, que ele ainda afirma: “… A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1Cor 15,50).

Existe no Evangelho passagem narrando fatos em que presumivelmente houve ressurreição, são em número de três: a da filha de Jairo (Mt 9,18-26; Mc 5,21-43 e Lc 8,40-56), a do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) e a de Lázaro (Jo 11,1-44).

No primeiro caso, as narrativas são unânimes em afirmar que Jesus tinha dito que a menina não havia morrido, apenas dormia. No segundo, não se fala nada. E no terceiro, afirma que a doença de Lázaro não era para a morte, que ele dormia e iria despertá-lo, para no final dizer que ele havia morrido, contradizendo o que havia dito anteriormente.

Ao que tudo indica, todos esses casos poderiam ser de pessoas que sofriam de ataques catalépticos, que dão toda a aparência de morte, não seriam, portanto uma verdadeira ressurreição. Parecem com os casos citados no jornal, não? E isto hoje, com todo o avanço da medicina, onde é bem mais fácil detectar estes casos de morte aparente! Imaginem ao tempo de Jesus?

Mas à época de Jesus havia a crença de que uma pessoa poderia voltar. Só não era explicado como isto poderia ocorrer, senão vejamos: “Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por aí as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista; outras, que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’ (Mt 16,13-14). E nesta outra: “Os discípulos lhe perguntaram: ‘por que dizem os escribas que Elias deve vir antes?’ Respondeu-lhes: ‘Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o Filho do homem está para sofrer da parte deles’. Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista” (Mt 17,10-13).

Nessas passagens fica claro que de uma maneira geral todos acreditavam que uma pessoa que havia morrido poderia voltar até mesmo num outro corpo, certo?

Interessante a conclusão a que chegamos, ao analisarmos tudo o que Jesus produziu de “milagre”, o que resumimos abaixo:

“Milagres” Quantidade Percentual
1- Fenômenos com ele e com a natureza 11 casos 28,9%
2- Curas diversas 16 casos 42,1%
3- Exorcismo 08 casos 21,1%
4- Ressurreição 03 casos 7,9%
Total 38 casos 100%

Isso foi colocado, para que possamos raciocinar. Se realmente a ressurreição fosse algo possível, por que Jesus a produziu em pequeno número em relação a tudo o que fez? Por outro lado, algo de tão extraordinário, como fazer voltar à vida os nossos mortos, não seria óbvio que Jesus sofreria um assédio descomunal das mães pedindo-Lhe que fizesse o mesmo com seus filhos que haviam morrido? Mas não consta nos Evangelhos que Ele tenha passado por semelhante situação.

Podemos concluir que Jesus curou estas pessoas talvez portadoras de catalepsia, não ressuscitando ninguém que já havia de fato morrido, e o que se acreditava, em sua época, era que uma pessoa que já havia morrido poderia voltar a viver como outra pessoa, que é o que hoje entendemos por REENCARNAÇÃO.

4 – Conclusão

Procuramos mostrar alguns conceitos doutrinários do Espiritismo, para os que são leigos no assunto, e, principalmente, para provar que eles não contrariam em nada o que Jesus ensinou.

Vemos é justamente o contrário, ou seja, que a Doutrina Espírita procura desenvolvê-los de tal forma, que todos possam compreendê-los. Colaboramos para que a percepção da Bíblia seja racional. Temos o Antigo Testamento como um importante código moral, mas circunscrito somente à própria época em que foi utilmente aplicado. Somos conscientes de que devemos seguir somente o Novo Testamento, base fundamental dos ensinamentos de Jesus, pois, só assim, poderemos dizer-nos cristãos.

(texto extraído do livro “A Bíblia à Moda da Casa”, Paulo Neto, Salvador-BA: Rede visão, 2002.)

Referências bibliográficas:

Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, SP, 1984;

O Espiritismo (o faquirismo ocidental), Dr. Paul Gibier, FEB, Brasília, DF, 4ª Edição, 1990;

O Cristianismo: a mensagem esquecida, Hermínio C. Miranda, Matão, SP, Casa Editora O Clarim, 1ª Edição, 1988; Cristianismo e Espiritismo, Léon Denis. Brasília – DF, FEB, 8ª Edição;

O Redentor, Edgard Armond. São Paulo, SP, Editora Aliança, 6ª Edição;

Quando Chega a Verdade, José Reis Chaves, Martin Claret, São Paulo, 1a. Edição, 2001.

Site:  Luz do Espiritismo – Grupo Espirita Allan Kardec

A Psicologia de Jesus

Jesus Cristo (204)

“(…) Ninguém melhor do que a figura de Jesus para mostrar omodelo máximo de estatura moral, aliada à confiança no ser humano e a umaprática educativa libertadora. Mas as polêmicas em torno da personalidade doCristo têm sido tão acirradas em dois mil anos de história cristã, que não sepode deixá-las à parte, antes de aventar qualquer interpretação a seu respeito

Não poderíamosassim ignorar a questão da divindade de Jesus, pois que é justamente a tomadade posição em relação a esse tema que vai nos colocar na via de demonstrar quea sua pedagogia é de fato a pedagogia pleiteada pelo paradigma do espírito. Nosprimeiros três séculos de Cristianismo, andava longe uma unanimidade a respeitoda divindade de Jesus.” (Pág. 108 à 109)

“(…)Durante esses primeiros séculos, várias interpretações a respeito da naturezado Cristo lutaram pela preponderância, mas as mais significativas foramjustamente a católica- vigente até hoje – e a ariana. A primeira considera omistério da encarnação divina, e, portanto, a existência de um Deus uno etrino,como dogma fundamental da crença cristã. A segunda admitia que:

“O Paiapenas é eterno e merece em sentido próprio o nome de Deus. Tirado do nada, ofilho é a primeira, mas a mais excelente das criaturas; ele foi instrumento doPai para a criação do mundo. Ele se encarnou em Jesus Cristo.”

Ora, a vitória daversão católica deu-se por obra de Atanásio e Constantino. Este último, oimperador cristão, patrocinou o Concílio de Nicéia, no qual foi arbitrariamentedeclarado o dogma da divindade de Jesus. “A existência de Atanásio seconcentra numa luta gigantesca contra o arianismo. (…)”” (Pág. 109)

“(…) Ora,Jesus veio ao mundo como mediador para redimir o homem e oferecer-se emsacrifício diante de Deus (ou seja, diante de si mesmo!), para restaurar aintegridade humana. Pela queda de um homem, perdemo-nos todos. Pelo sacrifíciode um Deus, redimimo-nos todos. Esta doutrina, reconhecidamente, não é deJesus, mas de Paulo.” (Pág. 112)

“Não sendo oSer Supremo do Universo (desde a época da formulação do dogma da Trindade, esseuniverso se expandiu infinitamente e se aceitamos a existência de Deus, e a suapresença, governo e poder entre bilhões e bilhões de galáxias e em meio aprováveis inúmeras humanidades, fica mais difícil aceitar a idéia de umaencarnação sua na Terra), Jesus Cristo não se vulgariza com isso,tornando-seapenas mais um homem entre outros tantos. Ele seria o Espírito que já atingiu aperfeição como todos nós atingiremos um dia, segundo a lei da evolução.Portanto ele é a realização daquilo de que somos ainda potência. É a meta a seratingida, por um processo de educação do espírito, nas sucessivasexistências.” (Pág. 113 à 114)

“Revelando um otimismo intrínseco em sua pregação e em sua ação, Jesusconsegue enxergar o fio de conexão com o outro ser humano, para chamá-lo àrealização da vida moral”. Desencadeia processos de regeneração, sem qualquerimposição externa. Conquista Madalena para fora da vida de desregramento,desperta em Zaqueu a consciência de ser menos avarento, e, mesmo depois damorte, aproveita o ímpeto destrutivo de Saulo de Tarso, canalizando-o para adivulgação apostólica do Cristianismo.

Realiza, pois, deforma mais eficaz e elevada, a idéia de Sócrates, de restituir o homem a simesmo, pela prática de um diálogo informal, que transcorre à beira dos lagos,no alto dos montes ou no meio das praças. E o faz estabelecendo um vínculoamoroso com os discípulos, ao mesmo tempo em que apela para a sua autonomiaracional.” (Pág. 115)

“Que pedagogiaera essa que praticava Jesus”? Herculano Pires refere-se a uma Pedagogia daEsperança:

“A educaçãonão era mais o ajustamento do ser aos moldes ditados pelos rabinos do Templo, aimposição de fora para dentro da moral farisaica, mas o despertar das criaturaspara Deus através dos estímulos da palavra e do exemplo. A salvação pela graçanão era um privilégio de alguns, mas o direito de todos. Jesus ensinava eexemplificava e seus discípulos faziam o mesmo. Chamava as crianças a si paraabençoá-las e despertar-lhes, com palavras de amor, os sentimentos mais puros.Nem os apóstolos entenderam aquela atitude estranha: um rabi cheio da sabedoriada Torá a perder tempo com as crianças. (.) Cada criatura humana é para ele umeducando, um aluno (.) Assim, a Terra não é mais o paraíso dos privilegiados eo inferno dos condenados. É a grande escola em que todos aprendemos, em quetodos nos educamos. A Pedagogia da Esperança oferece a todos a oportunidade desalvação, porque a salvação está na educação .”

A visão da vidana Terra como processo educativo faz sentido à luz da reencarnação, em que asalmas estão em permanente aprendizagem. Por isso mesmo o cristão, que admiteessa idéia, vê em Jesus muito mais o pedagogo da humanidade que osalvador.” (Pág. 116 à 117)

“A naturezahumana não corrompida, o livre-arbítrio como apanágio de cada alma individual euma propensão natural ao aperfeiçoamento e à ascensão emprestam à educaçãocristã, proposta por Jesus, um ar refrescante de liberdade e naturalidade.Jesus não se impõe, não usa de coerção, nem mesmo de persuasão. Convida,exemplifica, serve e ama.” (Pág. 117)

“”Eu,porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc. 22, 27) – aí seresume seu método pedagógico. Quem mais serve, por amor, é quem mais é capaz defazer brotar o impulso do bem na alma humana. Quem mais se sacrifica, por amor,é quem mais alcança a intimidade do outro, para fazê-lo melhor.” (Pág.118)

“As duasvertentes do Cristianismo têm coexistido no decorrer da história – de um lado,a visão do homem, herdeiro do Criador, como capaz de projetar-se para atranscendência, de fazer-se santo, perfeito, e, nesta linha, propostaslibertárias, igualitárias de educação. Do outro, a visão do pecado, da tragédiada queda, da corrupção inata, da necessidade de disciplinar e reprimir.Evidentemente, em muitas doutrinas e práticas, ambas as visões se conjugam, emnuanças intrincadas. A tese aqui levantada, entretanto, é a de que Jesus,propondo um modelo de educação humana, é o fundador da primeira tendência, quecombina perfeitamente com a de Sócrates.” (Pág. 118)

“Recuperadocomo mensagem de fraternidade, liberto do dogmatismo sectário, encarando-seJesus como um pedagogo divino, que veio propor um programa de educação doespírito, em parâmetros de liberdade e amor, o Cristianismo é revisto peloparadigma do espírito. O Espiritismo assim se anuncia como mais um ensaiohistórico de retorno à essência cristã, ofuscada pelas instituições humanas, depoder e de dominação. E na raiz desta revisão, renasce a pedagogia de Jesus,como pedagogia da esperança: quem já realizou em si a divindade intrínseca detodas as criaturas, trabalha para despertá-la em seus irmãos de humanidade,confiando em sua capacidade de aperfeiçoamento autônomo. E daqueles que jápisaram no mundo, certamente Jesus foi quem a realizou de maneira mais completae por isso sua mensagem e seu exemplo exercem poderoso influxo de mudança eascensão.”(Pág. 120)

INCONTR I,Dora. Pedagogia Espírita – um projeto brasileiro e suas raízes. Bragança

Paulista – SP. Editora Comenius, 2004.

Site:  Luz do Espiritismo – Grupo Espirita Allan Kardec

A Doutrinação

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II — Psicologia da doutrinação

O doutrinador deve ler e reler, com atenção e persistência a ESCALA ESPÍRITA (Livro dos Espíritos) para bem informar-se dos tipos deespíritos com que vai defrontar-se nas sessões. A escala nos oferece umquadro psicológico da evolução espiritual, que podemos também aplicaraos encarnados. No trato com os espíritos o conhecimento desse quadrofacilita grandemente e doutrinação. Os espíritos inferiores usamgeralmente de artimanhas para nos iludirem e se divertem quandoconseguem, prejudicando-se a si mesmos e fazendo-nos perder tempo.Temos de encará-los sempre como necessitados e tratá-los com o desejoreal de socorrê-los. Mas precisamos de psicologia para conseguirmosajudá-los. A tipologia que a Escala nos oferece é de grande valia nessesentido. Por outro lado, a leitura dos casos de doutrinação relatadospor Kardec na REVISTA ESPÍRITA nos oferece exemplos valiosos de comopodemos nos conduzir, auxiliados pelos espíritos protetores da sessão,para atingir bons resultados.

Aprática da doutrinação é uma arte em, que o bom doutrinador vai seaprimorando na medida em que se esforça para domina-la. Enganam-se osque pensam que basta dizer aos espíritos que eles já morreram para ossensibilizar. Não basta, também, citar-lhes trechos evangélicos oufazê-los orar repetindo a nossa prece. É importante tambémexplicar-lhes que se encontram em situação perigosa, ameaçados porespíritos malfeitores que podem dominá-lo e submetê-los aos seuscaprichos. A ameaça de perda da liberdade os amedronta e os levageralmente a buscar melhor compreensão da situação em que se encontram.Mas não se deve falar disso em tom de ameaça e sim de explicação pura esimples. Muitos deles já estão dominados por espíritos maldosos,servindo-lhes de instrumentos mais ou menos inconscientes. O médium querecebe a entidade sente as suas vibrações, percebe o seu estado e podeajudar o doutrinador, procurando absorver os seus ensinos. Através dacompreensão do médium o espírito sofredor ou obsessor é mais facilmentetocado em seu íntimo e desperta para uma visão mais real da sua própriasituação. Doutrinador e médium formam um conjunto que, quando bemarticulado, age de maneira eficiente para a entidade.

Odoutrinador deve ter sempre em mente todo esse quadro, para agir deacordo com as possibilidades oferecidas pela comunicação do espírito.Com os espíritos rebeldes, viciados na prática do mal, só a trípliceconjugação da autoridade moral do doutrinador, do médium e do espíritoprotetor poderá dar resultados positivos e quase sempre imediatos. Se omédium ou o doutrinador não dispuser dessa autoridade, o espírito seapegará a fraqueza de um deles ou de ambos para insistir nas suasintenções inferiores. Por isso Kardec acentua a importância damoralidade na relação com os espíritos. Essa moralidade , como jádissemos, não é formal, mas substancial, decorre das intenções e dosatos morais dos praticantes de sessões, não apenas nas sessões, mas emtodos os aspectos de suas vidas.

Osespíritos sofredores são mais facilmente doutrinados, pois a própriasituação em que se encontram favorece a doutrinação. Se muito erraramna vida terrena, permanecendo por isso em situação inferior, o fato denão se entregarem à obsessão depois da morte já mostra que estãodispostos a regenerar-se. Só a prática abnegada da doutrinação, com odesejo profundo de servir aos que necessitam, dará ao médium e aodoutrinador a sensibilidade necessária para distinguir rapidamente otipo de espírito com que se defrontam. O doutrinador intuitivo aprimorarapidamente a sua intuição, podendo perceber, logo no primeiro contato,a condição do espírito comunicante. A psicologia da doutrinação não temregras específicas, dependendo mais da sensibilidade do doutrinador,que deverá desenvolvê-la na prática constante e regular. Mesmo que odoutrinador seja vidente, não deve confiar apenas no que vê, pois háespíritos maus e inteligentes que podem simular aparências enganadoras,que a percepção psicológica apurada na prática facilmente desfará. Não é preciso ser psicólogo para doutrinar com eficiência, mas é indispensável conhecer a ESCALA ESPÍRITA, que nos dá o conhecimento básico indispensável.

Autor: José Herculano Pires

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-21.html

A Educação



É pela educação que as gerações se transformam e aperfeiçoam. Para uma sociedade nova são necessários homens novos. Por isso, a educação desde a infância é de importância capital.

Não basta ensinar à criança os elementos da Ciência. Aprender a governar-se, a conduzir-se como ser consciente e racional, é tão necessário como saber ler, escrever e contar: é entrar na vida armado não só para a luta material, mas, principalmente, para a luta moral. É nisso em que menos se tem cuidado. Presta-se mais atenção em desenvolver as faculdades e os lados brilhantes da criança, do que as suas virtudes. Na escola, como na família, há muita negligência em esclarecê-la sobre os seus deveres e sobre o seu destino. Portanto, desprovida de princípios elevados, ignorando o alvo da existência, ela, no dia em que entra na vida pública, entrega-se a todas as ciladas, a todos os arrebatamentos da paixão, num meio sensual e corrompido.

Mesmo no ensino secundário, aplicam-se a atulhar o cérebro dos estudantes com um acervo indigesto de noções e fatos, de datas e nomes, tudo em detrimento da educação moral. A moral da escola, desprovida de sanção efetiva, sem ideal verdadeiro, é estéril e incapaz de reformar a sociedade.

Mais pueril ainda é o ensino dado pelos estabelecimentos religiosos, onde a criança é apossada pelo fanatismo e pela superstição, não adquirindo senão idéias falsas sobre a vida presente e a futura. Uma boa educação é raras vezes, obra de um mestre. Para despertar na criança as primeiras aspirações ao bem, para corrigir um caráter difícil, são preciso, às vezes, a perseverança, a firmeza, uma ternura de que somente o coração de um pai ou de uma mãe pode ser suscetível. Se os pais não conseguem corrigir os filhos, como é que poderia fazê-lo o mestre que tem um grande número de discípulos a dirigir?

Essa tarefa, entretanto, não é tão difícil quanto se pensa, pois não exige uma ciência profunda. Pequenos e grandes podem preenchê-la, desde que se compenetrem do alvo elevado e das conseqüências da educação. Sobretudo, é preciso nos lembrar de que esses Espíritos vêm coabitar conosco para que os ajudemos a vencer os seus defeitos e os preparemos para os deveres da vida. Com o matrimônio, aceitamos a missão de os dirigir; cumpramo-la, pois, com amor, mas com amor isento de fraqueza, porque a afeição demasiada está cheia de perigos. Estudemos, desde o berço, as tendências que a criança trouxe das suas existências anteriores, apliquemo-nos a desenvolver as boas, a aniquilar as más. Não lhe devemos dar muitas alegrias, pois é necessário habituá-la desde logo à desilusão, para que possa compreender que a vida terrestre é árdua e que não deve contar senão consigo mesma, com seu trabalho, único meio de obter a sua independência e dignidade. Não tentemos desviar dela a ação das leis eternas. Há obstáculos no caminho de cada um de nós; só o critério ensinará a removê-los.

Não confieis vossos filhos a outrem, desde que não sejais a isso absolutamente coagidos. A educação não deve ser mercenária. Que importa a uma ama que tal criança fale ou caminhe antes da outra? Ela não tem nem o interesse nem o amor maternal. Mas, que alegria para uma mãe ao ver o seu querubim dar os primeiros passos! Nenhuma fadiga, nenhum trabalho detem-na. Ama! Procedei da mesma forma para com a alma dos vossos filhos. Tende ainda mais solicitude para com essa do que pelo corpo. O corpo consumir-se-á em breve e será sepultado; no entanto, a alma imortal, resplandecendo pelos cuidados com que foi tratada, pelos méritos adquiridos, pelos progressos realizados, viverá através dos tempos para vos abençoar e amar.

A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo. Suponhamos cada família iniciada nas crenças espiritualistas sancionadas pelos fatos e incutindo-as aos filhos, ao mesmo tempo em que a escola laica lhes ensinasse os princípios da Ciência e as maravilhas do Universo: uma rápida transformação social operar-se-ia então sob a força dessa dupla corrente.

Todas as chagas morais são provenientes da má educação. Reformá-la, colocá-la sobre novas bases traria à Humanidade conseqüências inestimáveis. Instruamos a juventude, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos ao seu coração, ensinemos-lhe a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.

(Léon Denis – Obra: Depois da Morte)

Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espirita Allan Kardec

A Pedagogia de Jesus



“(…) Ninguém melhor do que a figura de Jesus para mostrar o modelo máximo de estatura moral, aliada à confiança no ser humano e a uma prática educativa libertadora. Mas as polêmicas em torno da personalidade do Cristo têm sido tão acirradas em dois mil anos de história cristã, que não se pode deixá-las à parte, antes de aventar qualquer interpretação a seu respeito

Não poderíamos assim ignorar a questão da divindade de Jesus, pois que é justamente a tomada de posição em relação a esse tema que vai nos colocar na via de demonstrar que a sua pedagogia é de fato a pedagogia pleiteada pelo paradigma do espírito. Nos primeiros três séculos de Cristianismo, andava longe uma unanimidade a respeito da divindade de Jesus.” (Pág. 108 à 109)

“(…) Durante esses primeiros séculos, várias interpretações a respeito da natureza do Cristo lutaram pela preponderância, mas as mais significativas foram justamente a católica- vigente até hoje – e a ariana. A primeira considera o mistério da encarnação divina, e, portanto, a existência de um Deus uno e trino,como dogma fundamental da crença cristã. A segunda admitia que:

“O Pai apenas é eterno e merece em sentido próprio o nome de Deus. Tirado do nada, o filho é a primeira, mas a mais excelente das criaturas; ele foi instrumento do Pai para a criação do mundo. Ele se encarnou em Jesus Cristo.”

Ora, a vitória da versão católica deu-se por obra de Atanásio e Constantino. Este último, o imperador cristão, patrocinou o Concílio de Nicéia, no qual foi arbitrariamente declarado o dogma da divindade de Jesus. “A existência de Atanásio se concentra numa luta gigantesca contra o arianismo. (…)”” (Pág. 109)

“(…) Ora, Jesus veio ao mundo como mediador para redimir o homem e oferecer-se em sacrifício diante de Deus (ou seja, diante de si mesmo!), para restaurar a integridade humana. Pela queda de um homem, perdemo-nos todos. Pelo sacrifício de um Deus, redimimo-nos todos. Esta doutrina, reconhecidamente, não é de Jesus, mas de Paulo.” (Pág. 112)

“Não sendo o Ser Supremo do Universo (desde a época da formulação do dogma da Trindade, esse universo se expandiu infinitamente e se aceitamos a existência de Deus, e a sua presença, governo e poder entre bilhões e bilhões de galáxias e em meio a prováveis inúmeras humanidades, fica mais difícil aceitar a idéia de uma encarnação sua na Terra), Jesus Cristo não se vulgariza com isso,tornando-se apenas mais um homem entre outros tantos. Ele seria o Espírito que já atingiu a perfeição como todos nós atingiremos um dia, segundo a lei da evolução. Portanto ele é a realização daquilo de que somos ainda potência. É a meta a ser atingida, por um processo de educação do espírito, nas sucessivas existências.” (Pág. 113 à 114)

“Revelando um otimismo intrínseco em sua pregação e em sua ação, Jesus consegue enxergar o fio de conexão com o outro ser humano, para chamá-lo à realização da vida moral”. Desencadeia processos de regeneração, sem qualquer imposição externa. Conquista Madalena para fora da vida de desregramento, desperta em Zaqueu a consciência de ser menos avarento, e, mesmo depois da morte, aproveita o ímpeto destrutivo de Saulo de Tarso, canalizando-o para a divulgação apostólica do Cristianismo.

Realiza, pois, de forma mais eficaz e elevada, a idéia de Sócrates, de restituir o homem a si mesmo, pela prática de um diálogo informal, que transcorre à beira dos lagos, no alto dos montes ou no meio das praças. E o faz estabelecendo um vínculo amoroso com os discípulos, ao mesmo tempo em que apela para a sua autonomia racional.” (Pág. 115)

“Que pedagogia era essa que praticava Jesus”? Herculano Pires refere-se a uma Pedagogia da Esperança:

“A educação não era mais o ajustamento do ser aos moldes ditados pelos rabinos do Templo, a imposição de fora para dentro da moral farisaica, mas o despertar das criaturas para Deus através dos estímulos da palavra e do exemplo. A salvação pela graça não era um privilégio de alguns, mas o direito de todos. Jesus ensinava e exemplificava e seus discípulos faziam o mesmo. Chamava as crianças a si para abençoá-las e despertar-lhes, com palavras de amor, os sentimentos mais puros. Nem os apóstolos entenderam aquela atitude estranha: um rabi cheio da sabedoria da Torá a perder tempo com as crianças. (.) Cada criatura humana é para ele um educando, um aluno (.) Assim, a Terra não é mais o paraíso dos privilegiados e o inferno dos condenados. É a grande escola em que todos aprendemos, em que todos nos educamos. A Pedagogia da Esperança oferece a todos a oportunidade de salvação, porque a salvação está na educação .”

A visão da vida na Terra como processo educativo faz sentido à luz da reencarnação, em que as almas estão em permanente aprendizagem. Por isso mesmo o cristão, que admite essa idéia, vê em Jesus muito mais o pedagogo da humanidade que o salvador.” (Pág. 116 à 117)

“A natureza humana não corrompida, o livre-arbítrio como apanágio de cada alma individual e uma propensão natural ao aperfeiçoamento e à ascensão emprestam à educação cristã, proposta por Jesus, um ar refrescante de liberdade e naturalidade. Jesus não se impõe, não usa de coerção, nem mesmo de persuasão. Convida, exemplifica, serve e ama.” (Pág. 117)

“”Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc. 22, 27) – aí se resume seu método pedagógico. Quem mais serve, por amor, é quem mais é capaz de fazer brotar o impulso do bem na alma humana. Quem mais se sacrifica, por amor, é quem mais alcança a intimidade do outro, para fazê-lo melhor.” (Pág. 118)

“As duas vertentes do Cristianismo têm coexistido no decorrer da história – de um lado, a visão do homem, herdeiro do Criador, como capaz de projetar-se para a transcendência, de fazer-se santo, perfeito, e, nesta linha, propostas libertárias, igualitárias de educação. Do outro, a visão do pecado, da tragédia da queda, da corrupção inata, da necessidade de disciplinar e reprimir. Evidentemente, em muitas doutrinas e práticas, ambas as visões se conjugam, em nuanças intrincadas. A tese aqui levantada, entretanto, é a de que Jesus, propondo um modelo de educação humana, é o fundador da primeira tendência, que combina perfeitamente com a de Sócrates.” (Pág. 118)

“Recuperado como mensagem de fraternidade, liberto do dogmatismo sectário, encarando-se Jesus como um pedagogo divino, que veio propor um programa de educação do espírito, em parâmetros de liberdade e amor, o Cristianismo é revisto pelo paradigma do espírito. O Espiritismo assim se anuncia como mais um ensaio histórico de retorno à essência cristã, ofuscada pelas instituições humanas, de poder e de dominação. E na raiz desta revisão, renasce a pedagogia de Jesus, como pedagogia da esperança: quem já realizou em si a divindade intrínseca de todas as criaturas, trabalha para despertá-la em seus irmãos de humanidade, confiando em sua capacidade de aperfeiçoamento autônomo. E daqueles que já pisaram no mundo, certamente Jesus foi quem a realizou de maneira mais completa e por isso sua mensagem e seu exemplo exercem poderoso influxo de mudança e ascensão.”(Pág. 120)

INCONTR I, Dora. Pedagogia Espírita – um projeto brasileiro e suas raízes.

Bragança Paulista – SP. Editora Comenius, 2004.

Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

A Divindade de Jesus



Tentaremos, com este estudo, mostrar que esta questão é importante para nós os Cristãos.

Se tivermos a Jesus como o próprio Deus, é-nos difícil seguir seus ensinos, exemplificados em suas ações, pois tudo o que fez não servirá para nós como modelo de como fazer ou agir, visto ter partido de um ser que tudo pode, seria algo inatingível para nós os mortais. Por outro lado, com o conhecimento que vamos adquirindo através de estudos, vemos, como iremos demonstrar, uma perfeita consonância com os missionários divinos de religiões não cristãs, e com isto a crença em nossa religião fica bem abalada. E se, ao contrário, o colocarmos na condição de homem, ficaria muito mais fácil seguir seus exemplos, pois, de igual para igual, encontraremos forças para aplicar os seus ensinos.

Mas afinal, quando Jesus foi considerado Deus? Desde o início do cristianismo? O que pensavam seus discípulos sobre o assunto? O que o povo e Ele mesmo pensavam?

Para respondermos essas perguntas, primeiramente iremos recorrer ao Evangelho.

a) O que o povo pensava

Mt 16,13-14: “Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por ai as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista, outras que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’“.

Mt 26,67-68: “Então, cuspiram no seu rosto e cobriram-no de socos. Outros lhe davam bordoadas. E lhe diziam: ‘Mostra que és profeta, ó Cristo, advinha quem foi que te bateu?’”

Jo 7,40: “Muitos daquela gente que tinham ouvido essas palavras de Jesus afirmavam: ‘Verdadeiramente ele é o profeta’“.

Jo 9,17: “Perguntaram ainda ao cego: ‘Qual é a tua opinião a respeito de quem te abriu os olhos?’ Respondeu: ‘É um profeta’“.

b) O que os discípulos pensavam

Lc 24,19 “… Jesus de Nazaré foi um profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e do povo”.

At 2,22: “Homens de Israel, escutai o que digo: ‘Jesus de Nazaré foi o homem credenciado por Deus junto a nós com poderes extraordinários, milagres e prodígios. Bem sabeis as coisas que Deus realizou através dele no meio de vós’”.

c) O que dizia Jesus

Lc 13,33: “Entretanto devo continuar meu caminho hoje, amanhã e no dia seguinte, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém”.

Jo 8,40: “… Procurais tirar-me a vida a mim que sou homem, que vos digo a verdade que de Deus ouvi”. …

Mc 6,4-5: “Mas Jesus lhes dizia: ‘Um profeta só deixa de ser honrado em sua pátria, em sua casa e entre seus parentes. E não podia ali fazer milagre algum’”. (Argumento que utilizou para justificar por que Ele não conseguia fazer milagres em Nazaré).

Observamos, assim, que o povo e os seus discípulos acreditavam que Jesus era um profeta, o que foi confirmado pelo próprio Jesus.

Na passagem de Jo 14,12-13, ele diz: “Eu vos afirmo e esta é a verdade: quem crê em mim fará as obras que eu faço. E fará até maiores, porque vou ao Pai, e o que pedirdes ao Pai em meu nome eu farei, para que o Pai seja glorificado no filho“.

Se seguirmos a linha de raciocínio que Ele seja Deus, nós também seríamos deuses, pois segundo suas próprias palavras, poderíamos fazer o que ele fez e até mais. Vemos que não há como considerá-lo Deus.

A base central desta linha de pensamento de que Ele era Deus, basicamente vamos encontrá-la em Jo 10,30: “Eu e o Pai somos um”. Com isto chegaram à conclusão de que se o Pai é Deus e Jesus sendo um com o Pai, por conseguinte também seria Deus. Conclusão, digamos apressada é o dogma da Santíssima Trindade. Mas somos levados a crer, que esta trindade é incoerente, pois não pegaram o sentido da frase, apegaram-se à letra. Mas por que não tiveram a mesma linha de pensamento nesta outra passagem de João (17,20-23)? – “Não rogo somente por eles, mas também por todos aqueles que hão de crer em mim pela sua palavra. Que todos sejam um! Meu pai, que eles estejam em nós, assim como tu estás em mim e eu em ti. Que sejam um, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e que os amaste como tu me amaste”. Não seria o caso de dizer então que os discípulos eram deuses?

Em outras passagens, Jesus se coloca na condição de subordinado a Deus, prestando-lhe obediência e cumprindo-lhe a vontade. Não há como negar que quem é subordinado está sob ordens de alguém que lhe é superior, vejamos:

Jo 4,34: “Jesus afirmou: ‘Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou a levar a cabo a sua obra’”.

Jo 5,19: “… Eu vos afirmo e esta é a verdade: o Filho nada pode fazer por si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer”.

Jo 5,30: “Não posso fazer nada por mim mesmo. Julgo segundo o que ouço; e o meu julgamento é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

Jo 6,37-38: “Tudo o que o Pai me dá, virá a mim e não jogarei fora o que vem a mim, porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

Jo 14,28: “Se me amásseis, vos alegraríeis de que eu vá ao Pai, porque o Pai é maior do que eu”.

Nessa última passagem, é bem taxativa a superioridade do Pai sobre Jesus. Não há como contestar.

A questão da divindade de Jesus, rejeitada por três concílios, dos quais o mais importante foi o de Antioquia (269) foi, em 325, proclamado pelo de Nicéia. Após a declaração de que Jesus era Deus, vem para encaixá-lo nada mais foi que uma cópia da base fundamental de outras religiões, bem mais antigas que o Cristianismo. Podemos citar as que constam do Livro O Redentor de Edgard Armond:

Brahma, Siva e Vischnu – dos hindus

Osíris, Isis e Orus – dos egípcios

Ea, Istar e Tamus – dos babilônios

Zeus, Demétrio e Dionísio – dos gregos

Orzmud, Arimam e Mitra – dos persas

Voltan, Friga e Dinas – dos celtas

Achamos muito interessante o estudo do Dr. Paul Gibier (O Espiritismo –o faquirismo ocidental) em que ele coloca: “Uma das analogias mais notáveis do Catolicismo, não com o Budismo, mas com Bramanismo, encontra-se em uma das encarnações de Vischnu (filho de Deus) sob a forma de Krischna”.

“Krischna, que alguns autores escreviam Christna ou Kristna, foi concebido ‘sem pecado’, seu nascimento foi anunciado por profecias numerosas e muito antigas. Sua mãe Devanaguy, o concebeu por obra de um Espírito, que lhe apareceu sob os traços de Vischnu, segunda pessoa da Trindade Hindu. Segundo a tradição Hindu e o ‘Bhagavedagita’, anunciando uma profecia que ele destronaria seu tio, o tirano de Madura, este último mandou encarcerar sua sobrinha Devanaguy, que foi libertada por Vischnu; então o tirano mandou assassinar em todos os seus estados as crianças do sexo masculino nascidas na mesma noite em que Krischna viu a luz (grifo do original). Mas o menino foi salvo por milagre, e, 3500 anos mais ou menos antes de nossa era, ele pregava a sua doutrina. Depois de converter os homens, morreu de morte violenta as margens do Ganges, segundo ordens de Brahma (Deus, o Pai), para realizar a redenção dos homens, como lhes fora prometido”.

Parece que tudo se encaixa na tradição cristã a respeito de Jesus, talvez até fosse necessário, considerando a cultura da época, torná-lo um Deus, para que as pessoas pudessem acreditar em seus ensinos, entretanto, achamos, que para os dias de hoje isto poderá causar mais incrédulos, por uma coisa bem simples é que o homem moderno coloca a razão e a lógica como base para acreditar ou não em algo, e agindo assim também em relação à crença religiosa, terá uma fé inabalável.

Com relação a Jesus, poderemos afirmar com absoluta certeza que Ele era um ser superior a nós humanos, sem, entretanto, chegar a ser um Deus, principalmente pelos seus ensinos e exemplos de vida, virtudes essas que serão o nosso passaporte para o “Reino dos Céus”, pois somente através Dele é que chegaremos ao Pai, conforme suas palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão através de mim” (João 14,6).

3.12 – Ressurreição

No dia 18.04.96 o jornal Estado de Minas, publicou na página 17 a coluna “Um dia no Mundo”, o seguinte texto:

RESSURREIÇÃO

A britânica Maureen Jones, 59 anos, foi oficialmente declarada morta por um médico depois de sofrer um ataque de diabetes. Momentos depois, cumprindo função de rotina, policiais examinaram o corpo e, mexendo em suas pernas, a ressuscitaram. Este foi o segundo caso deste tipo neste ano na Grã-Bretanha. Em janeiro, a mulher de um fazendeiro, Daphne Banks, 61 anos, foi encontrada viva dentro de um necrotério, na região central do país, depois que um médico a declarou morta. Mais tarde, Daphne disse que estava tentando se matar.

Este texto levou-me a pensar. Realmente acontece a ressurreição, onde a alma da pessoa que morreu voltaria a reviver no mesmo corpo? Ou estas mortes aparentes ainda não estavam no domínio da ciência? O que as religiões dizem a respeito.

Pela maioria das correntes religiosas tradicionais, todos nós ressuscitaremos um dia em nosso corpo físico, e após isto, seremos julgados, sendo o céu ou o inferno o nosso destino, conforme tenhamos praticado o bem ou o mal. Nelas a crença é da unicidade da existência humana, ou seja, nós só temos esta uma única vida em contrapartida com a reencarnação, ou várias vidas sucessivas, afirmada pela Doutrina Espírita.

Perguntaríamos: seria possível o corpo físico ser recomposto, para receber novamente o espírito que o animava? Entretanto, a Ciência vem nos dizer que o nosso corpo físico é composto de entre outros, dos seguintes elementos: oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono, e que após a sua decomposição, estes elementos se dispersam para servirem de formação a novas matérias, sendo cientificamente impossível sua recomposição. Bem sabemos que a ciência é o conhecimento humano que busca descobrir as leis que regulam tudo no Universo, sendo, por conseguinte, estas leis, leis naturais ou Leis Divinas.

O apóstolo Paulo não possuía nenhuma dúvida sobre o assunto, porque teve a percepção clara de que não é o corpo físico que retorna à vida, vejamos em 1Cor 15,35-44: “Mas, dirá alguém, como é que os mortos vão ressuscitar? Com que corpo virão? Louco! O que semeias não reviverá, se não morrer antes. E o que semeias não é o corpo a se formar, mas grão nu, de trigo, por exemplo, ou de qualquer planta. E Deus lhe dá um corpo que bem entende, e a cada semente, o seu corpo apropriado. Toda a carne não é a mesma carne, mas uma é a carne dos homens, outra a carne das feras, outra, a carne das aves, outra, a dos peixes. Há corpos celestes e corpos terrestres; mas um é o esplendor dos corpos celestes e outro o dos terrestres. Um é o brilho do Sol e outro o brilho das estrelas. E uma estrela brilha diferente de outra estrela. Assim também na ressurreição dos mortos: semeado na podridão, o corpo ressuscita incorruptível. Semeado na humilhação, ele ressuscita glorioso. Semeado frágil, ressuscita forte. E semeando um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual. Como há um corpo animal, há também um corpo espiritual”.

Não faz ele a nítida distinção entre os dois corpos que possuímos, um o corpo físico e outro o corpo espiritual, sendo que é com este último que iremos ressuscitar no mundo espiritual ao qual retornaremos após a morte? Tão certo Paulo estava disto, que ele ainda afirma: “… A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1Cor 15,50).

Existe no Evangelho passagem narrando fatos em que presumivelmente houve ressurreição, são em número de três: a da filha de Jairo (Mt 9,18-26; Mc 5,21-43 e Lc 8,40-56), a do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) e a de Lázaro (Jo 11,1-44).

No primeiro caso, as narrativas são unânimes em afirmar que Jesus tinha dito que a menina não havia morrido, apenas dormia. No segundo, não se fala nada. E no terceiro, afirma que a doença de Lázaro não era para a morte, que ele dormia e iria despertá-lo, para no final dizer que ele havia morrido, contradizendo o que havia dito anteriormente.

Ao que tudo indica, todos esses casos poderiam ser de pessoas que sofriam de ataques catalépticos, que dão toda a aparência de morte, não seriam, portanto uma verdadeira ressurreição. Parecem com os casos citados no jornal, não? E isto hoje, com todo o avanço da medicina, onde é bem mais fácil detectar estes casos de morte aparente! Imaginem ao tempo de Jesus?

Mas à época de Jesus havia a crença de que uma pessoa poderia voltar. Só não era explicado como isto poderia ocorrer, senão vejamos: “Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por aí as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista; outras, que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’ (Mt 16,13-14). E nesta outra: “Os discípulos lhe perguntaram: ‘por que dizem os escribas que Elias deve vir antes?’ Respondeu-lhes: ‘Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o Filho do homem está para sofrer da parte deles’. Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista” (Mt 17,10-13).

Nessas passagens fica claro que de uma maneira geral todos acreditavam que uma pessoa que havia morrido poderia voltar até mesmo num outro corpo, certo?

Interessante a conclusão a que chegamos, ao analisarmos tudo o que Jesus produziu de “milagre”, o que resumimos abaixo:

“Milagres”

Quantidade

Percentual

1- Fenômenos com ele e com a natureza

11 casos

28,9%

2- Curas diversas

16 casos

42,1%

3- Exorcismo

08 casos

21,1%

4- Ressurreição

03 casos

7,9%

Total

38 casos

100%

Isso foi colocado, para que possamos raciocinar. Se realmente a ressurreição fosse algo possível, por que Jesus a produziu em pequeno número em relação a tudo o que fez? Por outro lado, algo de tão extraordinário, como fazer voltar à vida os nossos mortos, não seria óbvio que Jesus sofreria um assédio descomunal das mães pedindo-Lhe que fizesse o mesmo com seus filhos que haviam morrido? Mas não consta nos Evangelhos que Ele tenha passado por semelhante situação.

Podemos concluir que Jesus curou estas pessoas talvez portadoras de catalepsia, não ressuscitando ninguém que já havia de fato morrido, e o que se acreditava, em sua época, era que uma pessoa que já havia morrido poderia voltar a viver como outra pessoa, que é o que hoje entendemos por REENCARNAÇÃO.

4 – Conclusão

Procuramos mostrar alguns conceitos doutrinários do Espiritismo, para os que são leigos no assunto, e, principalmente, para provar que eles não contrariam em nada o que Jesus ensinou.

Vemos é justamente o contrário, ou seja, que a Doutrina Espírita procura desenvolvê-los de tal forma, que todos possam compreendê-los. Colaboramos para que a percepção da Bíblia seja racional. Temos o Antigo Testamento como um importante código moral, mas circunscrito somente à própria época em que foi utilmente aplicado. Somos conscientes de que devemos seguir somente o Novo Testamento, base fundamental dos ensinamentos de Jesus, pois, só assim, poderemos dizer-nos cristãos.

(texto extraído do livro “A Bíblia à Moda da Casa”, Paulo Neto, Salvador-BA: Rede visão, 2002.)

Referências bibliográficas:

Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, SP, 1984;

O Espiritismo (o faquirismo ocidental), Dr. Paul Gibier, FEB, Brasília, DF, 4ª Edição, 1990;

O Cristianismo: a mensagem esquecida, Hermínio C. Miranda, Matão, SP, Casa Editora O Clarim, 1ª Edição, 1988; Cristianismo e Espiritismo, Léon Denis. Brasília – DF, FEB, 8ª Edição;

O Redentor, Edgard Armond. São Paulo, SP, Editora Aliança, 6ª Edição;

Quando Chega a Verdade, José Reis Chaves, Martin Claret, São Paulo, 1a. Edição, 2001.

Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec