Transtorno Obsessivo Compulsivo e suas Consequências

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O que é Transtorno obsessivo-compulsivo?

“Pensamentos Obsessivos são um conjunto de pensamentos focados no perigo”.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um estado mental que deriva da Ansiedade.

A Ansiedade é um processo físico que mantém a pessoa em alerta, provocando um estado de vigília, no qual todo o corpo fica preparado para reagir a agressões exteriores e o cérebro fica com maior agilidade de raciocínio, absolutamente focado num pensamento, numa tentativa de, perante o medo, conseguir encontrar uma solução.

A este conjunto de pensamentos focados no perigo chamam-se pensamentos obsessivos, pois enquanto o perigo não desaparecer os pensamentos de proteção também não desaparecem.

Sua principal característica é a presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.

Uma pessoa com TOC é como um disco riscado, que repete sempre o mesmo ponto daquilo que está gravado. Pacientes com este transtorno sofrem com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente e, muitas vezes, sem que consiga controlá-los ou bloqueá-los. Para essas pessoas, a única forma de controlar esses pensamentos e aliviar ansiedade que eles provocam é por meio de rituais repetitivos, que podem muitas vezes ocupar o dia inteiro e trazer consequências negativas na vida social, profissional e pessoal. Esse ritual é chamado de compulsão, um tipo de comportamento irracional e repetitivo que segue um padrão de regras e etapas extremamente rígido, geralmente pré-estabelecido pela própria pessoa.

É muito comum que pacientes com TOC acreditem que, se deixarem de cumprir o ritual, algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em que a doença não é tratada ou diante de algum evento estressante ou traumático. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são muito importantes e essenciais para a recuperação.

Estudos epidemiológicos coordenados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que aproximadamente 1 a 2% da população mundial tenha TOC. No Brasil, são cerca de quatro milhões de pessoas sofrendo com este distúrbio psiquiátrico.

Fatores de Risco:

Os principais fatores capazes de aumentar o risco de uma pessoa desenvolver o transtorno obsessivo-compulsiva incluem histórico familiar, como ter algum membro próximo da família com diagnóstico positivo de TOC ou outras doenças psiquiátricas, e acontecimentos traumáticos e estressantes que tenham ocorrido na vida da pessoa, como a morte de um ente querido ou um acidente grave.

TOC atinge a mulheres e homens na mesma proporção e, na maioria dos casos. A doença surge durante a infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas também pode iniciar na vida adulta.

Principais Sintomas:

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é classificado como um transtorno de ansiedade por causa da forte tensão que sempre surge quando o paciente é impedido de realizar seus rituais. Mas a ansiedade não é o ponto de partida desse transtorno como nos demais transtornos dessa classe, sendo que o que o inicia são os pensamentos obsessivos ou os rituais repetitivos. Há algumas formas mais brandas desse distúrbio nas quais o paciente tem apenas poucas obsessões e as compulsões são discretas.

Os sintomas obsessivos mais comuns são:

  • Contaminação: medo de contaminar-se por germes, sujeiras etc.
  • Agressividade: imaginar que tenha ferido, prejudicado, ou ofendido seriamente outras pessoas.
  • Perda de controle: imaginar-se perdendo o controle, realizando violentas agressões ou mesmo assassinatos.
  • Sexuais: pensamentos sexuais urgentes e intrusivos.
  • Dúvidas: não acreditar em si mesmo, se achar incompetente, não se acreditar capaz de realizar tarefas simples e do cotidiano, ter dúvidas morais e religiosas.
  • Conteúdo moral: apresentar pensamentos proibidos.
  • Coleções e simetria: ideias de guardar objetos inservíveis, idéias de colocar tudo que possível na mais absoluta ordem simétrica.

Os sintomas compulsivos mais comuns são:

  • Limpeza: lavar-se frequentemente para se descontaminar. Lavar as mãos e tomar banhos a toda hora. Usar produtos químicos com a finalidade de se descontaminar, produtos do tipo xampus, cândida, creolina, álcool.
  • Repetição: repetir determinados gestos, tais como entrar em casa com o pé direito, benzer-se ao ouvir trovoada, bater de um lado e do outro do corpo.
  • Verificação e teste: verificar e checar se as coisas estão como deveriam estar: portas trancadas, gás e eletricidade desligados, se o marido está trabalhando, se o filho entrou na escola, etc.
  • Tocar objetos. Toca três vezes a madeira, beija santinhos, etc
  • Contar objetos. Conta carros na rua, conforme suas cores, faz contas com placas de carros, etc.
  • Ordenar ou arrumar os objetos de uma forma igual. Fazer rituais de ordem, sempre igual, para guardar ou expor objetos em casa ou em armários. Faz assepsia de tudo que toca sua pele, para não se expor a doenças.
  • Colecionar e juntar coisas inúteis, como: revistas velhas, jornais velhos, sacos de supermercado, vidros e embalagens.
  • Rezar compulsivamente, frequentar igrejas, centros espíritas e templos para rezar e se purificar, pedir proteção a Deus e às entidades religiosas.
  • Repetir ações e gestos: ligar e desligar rádios e aparelhos de TV, interruptores de luz, não passar ou passar sempre pelo mesmo caminho, etc.

Complicações Possíveis:

Indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo podem apresentar complicações ou outras doenças que não são necessariamente causadas pelo distúrbio, mas podem ser resultantes da associação de mais de um transtorno mental. Por exemplo:

Diagnóstico:

Os sintomas obsessivos e compulsivos são obrigatórios para se diagnosticar o TOC. Contudo, além destes sintomas, são necessários outros critérios:

  1. O primeiro é que o tempo gasto com os sintomas deve ser de no mínimo uma hora por dia ou quando o tempo for inferior a esse valor, é necessária a presença de marcante aborrecimento ou prejuízo pessoal.
  2. É preciso também que, em algum momento, o paciente reconheça que o que está acontecendo seja excessivo, exagerado, injustificável ou anormal.

Tratamento:

O tratamento do transtorno obsessivo compulsivo envolve a combinação de medicamentos e psicoterapia. Os medicamentos utilizados são os antidepressivos, em geral em doses elevadas e por tempo bastante prolongado. A psicoterapia mais estudada é a terapia comportamental, através da qual o paciente é estimulado a controlar seus pensamentos obsessivos e rituais compulsivos. Outras formas de psicoterapia auxiliam o paciente a lidar com as situações de ansiedade que agravam a doença.

Expectativas:

O TOC é uma doença crônica para a qual não há cura. Os sinais e sintomas da doença oscilam entre períodos de melhora e piora ao longo de toda vida. Não é comum, no entanto, que uma pessoa diagnosticada com este transtorno vivencie períodos sem absolutamente nenhum sintoma aparente. Por essa razão, é imprescindível que pacientes com TOC sigam à risca o tratamento recomendado. A qualidade de vida tende a melhorar muito com a psicoterapia aliada ao uso de medicamentos.

Referências Bibliográficas

  • KAPLAN & SADOCK; Manual de Farmacologia Psiquiátrica, 1993.
  • LEVY, Daniela; Transtorno Obsessivo Compulsivo na Infância, in.Clube do Bebe endereço eletrônico: http://www.clubedobebe.com.br/, acessado em 26 de outubro de 2005.
  • LOTUFO-NETO, F. Distúrbio obsessivo-compulsivo e Depressão.Jornal Brasileiro de Pasiquiatria, v. 42, n. 1, p. 29-32, 1993.
  • MIGUEL, E.C. Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo: Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1996.
  • MORAES, C. Tratamento do TOC Infantil, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, 2004.
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