Estudos Espíritas sobre o TOC

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A saúde, sob qualquer aspecto considerado – físico, mental, emocional, moral – é patrimônio da vida, que constitui meta a ser conquistada pelo homem e pela mulher no processo da sua evolução. Engrandecendo-se o ser por meio dos esforços que empreende na conquista dos múltiplos valores nele adormecidos, penetra-os, no mundo íntimo, a fim de exteriorizá-los em hinos de alegria e de bem-estar.

Porque desperdiça as oportunidades que deveriam ser utilizadas em favor da auto-iluminação, da conscientização de sua realidade, infelizmente envereda pela trilha dos prazeres exorbitantes e deixa-se arrastar pelos vícios perniciosos, estacionando na marcha ascensional e sofrendo as seqüelas que a insensatez lhe brinda, em forma de conseqüência dolorosa quase imediata.

É nesse mundo íntimo, no inconsciente pessoal, que se encontram as fixações perversas e desvairadas do primarismo do ser, que permanecem durante o período da razão, gerando distúrbios que reaparecem na consciência atual, desestruturando os equipamentos da saúde física, psíquica e, especialmente, da emocional.

Entre outros, pela sua gravidade, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo se destaca, infelicitando não pequeno número de vítimas em toda a Terra.

Quando se é portador de pensamento compulsivo, a consciência torna-se invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para paciente. Trata-se de idéias desagradáveis umas repugnantes outras, que infelicitam, e o enfermo não dispõem de meios lúcidos para enfrentá-las, superando-as. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções. Nele fixam-se pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não consegue libertar-se. Outras vezes, manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o comportamento.

A atividade compulsiva apresenta-se como incoercível necessidade de ações repetidas. Desde o simples ato de traçar linhas e desenhos em papel ao de contar lâmpadas ou cadeiras num auditório, que parecem sem sentido, mas não se consegue evitar, incidindo-se sempre na mesma atividade. De alguma sorte, é um mecanismo para fazer uma liberação da ansiedade de que se é vítima. Nas tentativas para evitar a atividade compulsiva, em razão de circunstâncias poderosas, o paciente sofre, transtorna-se, terminando por entregar-se à ação tormentosa de maneira discreta, simulada que seja…

Por fim, os indivíduos portadores da personalidade ou caráter obsessivo se apresentam sistemáticos, impressionando pela rigidez do comportamento, inclusive para com eles próprios. São portadores de sentimentos nobres, confiáveis e dedicados ao trabalho, que exercem até o excesso. No entanto, foram vítimas de ambiente emocional duramente severo desde a infância, quando sofreram imposições descabidas e tiveram que obedecer sem pensar, pois essa era a única maneira de se livrarem das imposições e castigos dos adultos. Sentindo-se obrigados, desde cedo, a reprimir as emoções, tornam-se ambivalentes, escapando-lhes de controle os sentimentos que se constituem de natureza hostil, apresentando-se mais com intelectuais do que como sentimentais.

Cumpre destacar ainda as heranças dos atos de outras encarnações, que se encontram inscritos no inconsciente pessoal, como desencadeadores dos transtornos psicóticos. Estes ecos do passado acabam atraindo entidades desencarnadas que, vinculando-se às mentes dos portadores de transtornos obsessivos, impõem o direito de cobranças esdrúxulas, mediante processos espirituais devastadores.

Trata-se de Espíritos que foram vitimados por crimes perversos contra eles cometidos, e que não conseguiram superar os traumas e os ressentimentos. Agora, na condição de vingadores que vêm prestar contas com o passado, promovem obsessões vigorosas contra aqueles que foram seus adversários outrora.

Porque a dívida moral permanece impressa nos painéis do inconsciente pessoal, os pacientes assimilam as ondas mentais das suas antigas vítimas, que são convertidas em sensações penosas, em forma de consciência de culpa. Sob outro aspecto, esses endividados espirituais reencarnam com os fatores neurológicos e orgânicos, em geral impressos no corpo perispiritual, em face dos transtornos morais que se permitiram anteriormente, de forma a experimentarem a recuperação moral mediante o processo depurador a que ora fazem jus.

A psicoterapia cognitivo-comportamental ameniza ou até mesmo produz a cura dos efeitos danosos do transtorno obsessivo-compulsivo. Evidentemente, a contribuição de alguns fármacos apropriados, sob cuidadosa orientação psiquiátrica, torna-se de inestimável significado para o reequilíbrio do paciente.

Por outro lado, a terapêutica espírita pode ajudar nestes processos, orientando e confortando os agentes espirituais, que terminam por abandonar os seus propósitos de vingança, libertando os seus inimigos. Compete ainda à Doutrina Espírita orientar o enfermo, auxiliando-o na mudança de atitude perante a vida, de comportamento mental, de sentimento rancoroso e agressivo em relação ao seu próximo.

Ideal, portanto, que sejam tomadas providências para que as referidas terapêuticas – psicológica, espiritual e psiquiátrica – sejam utilizadas, a fim de facultar ao paciente a sua recuperação.

(Artigo elaborado com base no texto “Transtorno Obsessivo Compulsivo”, de Joanna de Angelis, capítulo 6 do livro “Aspectos Psiquiátricos e Espirituais nos Transtornos Emocionais”, de Divaldo Franco).

O TOC na visão do O Livro dos Espíritos:

A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Oblitera todas as faculdades mediúnicas; traduz-se, na mediunidade escrevente, pela obstinação de um Espírito em se manifestar, com exclusão de todos os outros.

Fica claro que a obsessão é exercida por um Espírito mau (leia-se e entenda-se: ainda transitoriamente inferior, um Espírito ignorante, pois ignora o que é o bem), geralmente desencarnado, com persistência, com uma graduação muito ampla, desde uma simples influência moral até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

Mas, de que forma é realizada essa influenciação moral?

Na questão 456 do LE nos ensinam que os Espíritos desencarnados podem ver tudo que fazemos desde que prestem atenção, e que constantemente nos rodeiam.  Na LE 457 afirmam que os Espíritos conhecem nossos mais secretos pensamentos e atos, e quando nos achamos sozinhos é comum termos uma multidão de Espíritos que nos observam. Na LE 459 afirmam que os Espíritos influem em nossos pensamentos e atos mais freqüentemente do que imaginamos, que de ordinário são eles que nos dirigem. E na LE 460 confirmam que freqüentemente sofremos, no mesmo instante, influência dos pensamentos dos Espíritos e que esses pensamentos, não raro, contrários uns aos outros (pensamentos do bem e do mal) estão mesclados em nossas mentes, com os nossos próprios pensamentos.

Pelo que nos foi ensinado no Livro dos Espíritos, nas perguntas acima citadas, fica evidente que, desde a influenciação moral simples até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais, e toda a sua graduação intermediária, apresentadas por Kardec no conceito de obsessão, ambas se efetivam por influenciação constante do pensamento do obsessor sobre o pensamento do obsediado. Pensamentos estes que induzem o obsediado á desvios morais e as ações conseqüentes desses desvios, pensamentos, que tem por objetivo a perturbação da harmonia do corpo e da mente do obsidiado.

Fazendo uma analogia, a obsessão é como uma guerra constante entre o bem o e mal, cujo campo de batalha é a nossa mente.  Os lances dessa guerra se expressam pelos pensamentos, articulados pelo Espírito de cada um de nós, que utilizando do livre-arbítrio que possui, conduz á responsabilidade dos pensamentos, decisões e atos. 

Desde o momento em que Deus nos criou, simples e ignorantes (LE 115), somos seres pensantes. Não há um só momento nas vinte e quatro horas do dia, e em todos os dias de nossa vida, em que nosso Espírito não esteja pensando. Nossa alma é um Espírito que pensa (LE 460). Desde o momento em que alcançamos, através da evolução, a consciência de nós próprios, acessamos o livre arbítrio de nossos pensamentos e atos. Para que o livre arbítrio seja perfeito não há nenhuma influência que sobrepuja a outra, nem do bem sobre o mal, e nem do mal sobre o bem. Ou seja, há um equilíbrio de influências para que o Espírito possa realmente decidir por sua livre vontade (LE 122) e assim ser o único responsável pelos seus atos.

Referências Bibliográficas

  • KAPLAN & SADOCK; Manual de Farmacologia Psiquiátrica, 1993.
  • LEVY, Daniela; Transtorno Obsessivo Compulsivo na Infância, in.Clube do Bebe endereço eletrônico: http://www.clubedobebe.com.br/, acessado em 26 de outubro de 2005.
  • LOTUFO-NETO, F. Distúrbio obsessivo-compulsivo e Depressão.Jornal Brasileiro de Pasiquiatria, v. 42, n. 1, p. 29-32, 1993.
  • MIGUEL, E.C. Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo: Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1996.
  • MORAES, C. Tratamento do TOC Infantil, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, 2004.
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