Livre-Arbítrio

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Como deve ser entendido o livre arbítrio?

A libertação é um anseio do indivíduo. As constituições democráticas a protegem e os povos dominados a buscam incessantemente. A liberdade, contudo, nunca será plena, já que a convivência com o próximo determina um limite, ou seja, o nosso direito de liberdade vai até onde começa o direito do nosso semelhante. Por exemplo: o direito de ir e vir nos autoriza a livre locomoção pelo país, no entanto não podemos invadir a casa alheia, porque então estaremos violando o direito do proprietário.

O homem ignorante, por isso ainda egoísta, orgulhoso e violento, não respeita as leis e nem o próximo, imaginando que pode livremente agir consoante a sua vontade, na busca de saciar os seus desejos e paixões. Lançando mão de vários recursos, furta-se muitas vezes à ação da justiça humana, esquecendo-se, porém, de que acima desta vige a Justiça Divina, da qual não escapará.

A legislação penal não é proibitiva, mas sancionadora. Explicando melhor: a lei não diz que proibido matar, mas estabelece pena reclusiva para aquele que tira a vida de alguém. É sabido que não se consegue evitar a infração da lei com simples normas abstratas, mas que é preciso impor-se uma reprimenda que freie a ação considerada prejudicial à praz da coletividade, posto que o homem não está suficientemente maduro para cumprir espontaneamente normas sociais.

A lei de Deus para os homens funciona da mesma maneira. Melhor diríamos que, na verdade, foi a sociedade que estabeleceu para si, embora ainda imperfeitamente, a mesma lei do Criador. Existe uma lei natural conhecida como ação e reação, pela qual o homem sempre colherá os frutos do que plantou, sejam eles saborosos ou amargos. Todos os dias estamos sujeitos aos efeitos dessa regra fundamental da Justiça Divina. Quando ingerimos muita bebida alcoólica, reage o corpo com mal estar, dor de cabeça, como se diz, com a ressaca. Quando somos cordiais, prestativos e alegres para com as pessoas, conquistamos muita simpatia e amizade; mas se somos grosseiros, carrancudos e ofensivos, só temos desafetos e vivemos solitários.

Essa lei tem por finalidade indicar a nós, espíritos em evolução, o caminho certo da felicidade. Por outras palavras, toda vez que a nossa atitude provocar uma reação de dor e sofrimento, sabemos que ela foi errada e que não devemos incorrer no mesmo erro.

Quando mais erramos, mais presos estamos às consequências fatais dos nossos atos. Somos livres para semear, mas a colheita é sempre obrigatória. Você não é obrigado a contrair uma dívida, mas se a contraiu é seu dever pagá-la. Por isso, a exata compreensão da Lei e uma vida conforme suas regras nos torna livres e felizes. À medida que nos comportamos de acordo com a lei, libertamo-nos dos reflexos da infração e amplia-se as possibilidades de nós mesmos decidirmos o nosso destino, que embora esteja sujeito à Lei, não é absoluto. Essa a verdadeira liberdade; a liberdade com responsabilidade, com consciência.

Assim, o livre arbítrio existe para que tenhamos o mérito do nosso esforço; para que saibamos que não somos meros brinquedos nas mãos de um Criador a se divertir, mas sim filhos de um Amor ainda não bem compreendido, predestinados à felicidade.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 28 – São Paulo – 1997

 

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Um comentário sobre “Livre-Arbítrio

  1. DEUS E MAMON E LIVRE ARBÍTRIO
    “Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e às riquezas”.

    Há entre os espíritas uma regra de bom senso: o de não se apegar à letra. O lema espírita é ainda mais enfático: Fé inabalável é aquela que pode enfrentar a razão face a face. Todos os temas espíritas devem ser tratados observando-se as condições acima expostas. Por quê? Porque este é o fio condutor do método espírita. O espírita não crê por crer, não aceita porque está escrito.
    Há varias abordagens possíveis e cada orador tem a liberdade e deve desfrutar dela, pode desenvolver os temas a partir dos elementos que domine e aprecie. A oratória é uma arte, pede consistência, foco, emoção, desfecho! Impossível ao orador atingir a plateia, chegar a algum lugar, se discursar com elementos que não domine e aprecie. Mas se não dominar o assunto, se não sentir a questão, se ela não pulsar dentro dele, melhor escolher tema que saiba destrinchar e do qual o coração também participe. Quando o coração não participa, a oratória é monótona.
    Nunca um tema foi tão pertinente para nós brasileiros como este: Deus e Mamon. Vivemos um momento de progresso em todos os sentidos, mas 10% da nossa população concentram 50% de toda a renda. Os 30% dos mais pobres ficam com apenas 10%. Não são números exatos, mas muito próximos do IBGE. O que isto tem a ver conosco? O que tem a ver com o centro espírita?
    O centro espírita estuda a doutrina espírita. Este é um dos seus principais objetivos. E o que é a doutrina espírita, senão a terceira revelação! E o que é a terceira revelação, senão uma nova abordagem acerca dos valores cristãos. Valores cristãos! É disto que se trata. De entendê-los de forma mais ampla. Foi para isto que Kardec os compilou. Foi isto que os espíritos nos deram na França no século XIX, duzentos anos atrás. Valores! No prefácio do Evangelho, Kardec faz questão de esclarecer que não discute a letra, os tantos textos evangélicos, tão controvertidos, mas se apoia em valores morais que são pilares do cristianismo. Valores que nenhuma alma discute. O primeiro deles: … o da compaixão. Lembram do trecho do Consolador: “Venho como outrora, movido pela compaixão, reunir em feixes o amor esparso pela terra…”
    É disto que se trata. É esta a questão. Nenhuma outra. Podemos cercá-la de muitos modos, com elementos vários, cada qual tem os seus, as suas vivências, as suas experiências. Mas a questão é esta! Este, portanto, o foco! A compaixão. Ela é o motor da fraternidade. A riqueza, sabemos hoje, depois de estudarmos tantas teorias econômicas e das crises que já vivemos, é útil quando concentra recursos que multiplicam produtos: alimentos, roupas, casas, etc. É inútil quando concentra apenas luxo, quando multiplica pouco ou nada. A questão da existência do mal na riqueza é simplista, simbólica, antiga, ultrapassada, fora de lugar. Não é disto que se trata. O que se discute hoje é a divisão do trabalho, a remuneração do trabalho, a alocação de recursos, a assistência social aos doentes, idosos e necessitados. Em 1960 nós já discutíamos, principalmente na Europa, o “estado de bem estar social”. O que se discute hoje? A falência dos sistemas de proteção social. Em outras palavras: o aumento da pobreza até na Europa, mas com um imenso contraste de aumento de renda na elite social.
    É necessário que os que possuem mais renunciem às suas rendas para que estes valores sejam investidos em novos campos de trabalho, de modo a incorporarmos milhões de pessoas em atividades produtivas de modo digno. Não se trata de tirar do rico para simplesmente dar ao pobre e este consumir alguns artigos a mais. A questão é mais ampla e complexa. Envolve o Estado e toda a sociedade. Envolve reformulações de critérios e de leis. E como mudamos a mentalidade das pessoas para que elas percebam isto e a gente caminhe neste sentido e não em crises que podem desembocar em guerras como tantas vezes aconteceu no passado?
    Mamon é o egoísmo. Deus é a fraternidade. São estes os símbolos! Pois Deus, neste caso é o Deus cristão. Não é mais o Deus dos Exércitos, mas o Deus do Perdão, o Deus da Fraternidade, da Compaixão. Este o valor! É isto que precisa ser difundido, entendido e amadurecido. Então você, qualquer um de nós aqui presente poderá se questionar e dizer para si mesmo: Mas que posso eu? Sou apenas um pequeno comerciante, um funcionário, um técnico, um professor, alguém que vive do seu trabalho, com pouca ou nenhuma influência sobre os rumos da economia e do país.
    Emanuel, através do Chico Xavier, produziu esta frase: “Seja a célula viva no organismo convalescente”.
    Quando tiver oportunidade, se posicione a favor dos mais pobres. Se tiver empregados, esforce-se para remunerá-los de modo que eles possam viver dignamente. Abra portas para eles. Participe de associações, sindicatos, partidos políticos. Enfim, seja uma célula viva e atuante. De que adianta resmungar com os amigos e colegas sobre a difícil situação que vivemos?
    A frase de Emanuel reitera a postura do cristão. Postura de Ação! O espírita é um cristão. O espiritismo é a terceira revelação. Posicione-se! Seja uma célula viva!
    Leandro, um espírito crítico.

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