A Psicologia de Jesus

Jesus Cristo (204)

“(…) Ninguém melhor do que a figura de Jesus para mostrar omodelo máximo de estatura moral, aliada à confiança no ser humano e a umaprática educativa libertadora. Mas as polêmicas em torno da personalidade doCristo têm sido tão acirradas em dois mil anos de história cristã, que não sepode deixá-las à parte, antes de aventar qualquer interpretação a seu respeito

Não poderíamosassim ignorar a questão da divindade de Jesus, pois que é justamente a tomadade posição em relação a esse tema que vai nos colocar na via de demonstrar quea sua pedagogia é de fato a pedagogia pleiteada pelo paradigma do espírito. Nosprimeiros três séculos de Cristianismo, andava longe uma unanimidade a respeitoda divindade de Jesus.” (Pág. 108 à 109)

“(…)Durante esses primeiros séculos, várias interpretações a respeito da naturezado Cristo lutaram pela preponderância, mas as mais significativas foramjustamente a católica- vigente até hoje – e a ariana. A primeira considera omistério da encarnação divina, e, portanto, a existência de um Deus uno etrino,como dogma fundamental da crença cristã. A segunda admitia que:

“O Paiapenas é eterno e merece em sentido próprio o nome de Deus. Tirado do nada, ofilho é a primeira, mas a mais excelente das criaturas; ele foi instrumento doPai para a criação do mundo. Ele se encarnou em Jesus Cristo.”

Ora, a vitória daversão católica deu-se por obra de Atanásio e Constantino. Este último, oimperador cristão, patrocinou o Concílio de Nicéia, no qual foi arbitrariamentedeclarado o dogma da divindade de Jesus. “A existência de Atanásio seconcentra numa luta gigantesca contra o arianismo. (…)”” (Pág. 109)

“(…) Ora,Jesus veio ao mundo como mediador para redimir o homem e oferecer-se emsacrifício diante de Deus (ou seja, diante de si mesmo!), para restaurar aintegridade humana. Pela queda de um homem, perdemo-nos todos. Pelo sacrifíciode um Deus, redimimo-nos todos. Esta doutrina, reconhecidamente, não é deJesus, mas de Paulo.” (Pág. 112)

“Não sendo oSer Supremo do Universo (desde a época da formulação do dogma da Trindade, esseuniverso se expandiu infinitamente e se aceitamos a existência de Deus, e a suapresença, governo e poder entre bilhões e bilhões de galáxias e em meio aprováveis inúmeras humanidades, fica mais difícil aceitar a idéia de umaencarnação sua na Terra), Jesus Cristo não se vulgariza com isso,tornando-seapenas mais um homem entre outros tantos. Ele seria o Espírito que já atingiu aperfeição como todos nós atingiremos um dia, segundo a lei da evolução.Portanto ele é a realização daquilo de que somos ainda potência. É a meta a seratingida, por um processo de educação do espírito, nas sucessivasexistências.” (Pág. 113 à 114)

“Revelando um otimismo intrínseco em sua pregação e em sua ação, Jesusconsegue enxergar o fio de conexão com o outro ser humano, para chamá-lo àrealização da vida moral”. Desencadeia processos de regeneração, sem qualquerimposição externa. Conquista Madalena para fora da vida de desregramento,desperta em Zaqueu a consciência de ser menos avarento, e, mesmo depois damorte, aproveita o ímpeto destrutivo de Saulo de Tarso, canalizando-o para adivulgação apostólica do Cristianismo.

Realiza, pois, deforma mais eficaz e elevada, a idéia de Sócrates, de restituir o homem a simesmo, pela prática de um diálogo informal, que transcorre à beira dos lagos,no alto dos montes ou no meio das praças. E o faz estabelecendo um vínculoamoroso com os discípulos, ao mesmo tempo em que apela para a sua autonomiaracional.” (Pág. 115)

“Que pedagogiaera essa que praticava Jesus”? Herculano Pires refere-se a uma Pedagogia daEsperança:

“A educaçãonão era mais o ajustamento do ser aos moldes ditados pelos rabinos do Templo, aimposição de fora para dentro da moral farisaica, mas o despertar das criaturaspara Deus através dos estímulos da palavra e do exemplo. A salvação pela graçanão era um privilégio de alguns, mas o direito de todos. Jesus ensinava eexemplificava e seus discípulos faziam o mesmo. Chamava as crianças a si paraabençoá-las e despertar-lhes, com palavras de amor, os sentimentos mais puros.Nem os apóstolos entenderam aquela atitude estranha: um rabi cheio da sabedoriada Torá a perder tempo com as crianças. (.) Cada criatura humana é para ele umeducando, um aluno (.) Assim, a Terra não é mais o paraíso dos privilegiados eo inferno dos condenados. É a grande escola em que todos aprendemos, em quetodos nos educamos. A Pedagogia da Esperança oferece a todos a oportunidade desalvação, porque a salvação está na educação .”

A visão da vidana Terra como processo educativo faz sentido à luz da reencarnação, em que asalmas estão em permanente aprendizagem. Por isso mesmo o cristão, que admiteessa idéia, vê em Jesus muito mais o pedagogo da humanidade que osalvador.” (Pág. 116 à 117)

“A naturezahumana não corrompida, o livre-arbítrio como apanágio de cada alma individual euma propensão natural ao aperfeiçoamento e à ascensão emprestam à educaçãocristã, proposta por Jesus, um ar refrescante de liberdade e naturalidade.Jesus não se impõe, não usa de coerção, nem mesmo de persuasão. Convida,exemplifica, serve e ama.” (Pág. 117)

“”Eu,porém, estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc. 22, 27) – aí seresume seu método pedagógico. Quem mais serve, por amor, é quem mais é capaz defazer brotar o impulso do bem na alma humana. Quem mais se sacrifica, por amor,é quem mais alcança a intimidade do outro, para fazê-lo melhor.” (Pág.118)

“As duasvertentes do Cristianismo têm coexistido no decorrer da história – de um lado,a visão do homem, herdeiro do Criador, como capaz de projetar-se para atranscendência, de fazer-se santo, perfeito, e, nesta linha, propostaslibertárias, igualitárias de educação. Do outro, a visão do pecado, da tragédiada queda, da corrupção inata, da necessidade de disciplinar e reprimir.Evidentemente, em muitas doutrinas e práticas, ambas as visões se conjugam, emnuanças intrincadas. A tese aqui levantada, entretanto, é a de que Jesus,propondo um modelo de educação humana, é o fundador da primeira tendência, quecombina perfeitamente com a de Sócrates.” (Pág. 118)

“Recuperadocomo mensagem de fraternidade, liberto do dogmatismo sectário, encarando-seJesus como um pedagogo divino, que veio propor um programa de educação doespírito, em parâmetros de liberdade e amor, o Cristianismo é revisto peloparadigma do espírito. O Espiritismo assim se anuncia como mais um ensaiohistórico de retorno à essência cristã, ofuscada pelas instituições humanas, depoder e de dominação. E na raiz desta revisão, renasce a pedagogia de Jesus,como pedagogia da esperança: quem já realizou em si a divindade intrínseca detodas as criaturas, trabalha para despertá-la em seus irmãos de humanidade,confiando em sua capacidade de aperfeiçoamento autônomo. E daqueles que jápisaram no mundo, certamente Jesus foi quem a realizou de maneira mais completae por isso sua mensagem e seu exemplo exercem poderoso influxo de mudança eascensão.”(Pág. 120)

INCONTR I,Dora. Pedagogia Espírita – um projeto brasileiro e suas raízes. Bragança

Paulista – SP. Editora Comenius, 2004.

Site:  Luz do Espiritismo – Grupo Espirita Allan Kardec

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