A Parábola do Bom Pastor

Jesus Cristo

“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha aachá-la”?
E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;
E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

“Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecadorque se arrepende, mais do que noventa e nove justos que não necessitamde arrependimento.” (Lucas 15, 4,7)

Em sua época, Jesus contou esta parábola, porque os fariseus e os escribas queixavam-se, dizendo: “Este recebe pecadores e come com eles. (Lucas 15:2)“.

Nosdias atuais, apesar de o homem possuir outros costumes, a hipocrisianão desapareceu, ou seja, ainda é comum que se comentem as mazelasalheias, principalmente quando elas são visíveis, acreditando-se quequem possui defeitos morais não tem a possibilidade de reverter essasituação, que essas criaturas estão perdidas para sempre.

Ena parábola do Bom Pastor Jesus demonstra exatamente o contrário. Oque, se atentarmos bem, a mantém ainda muito útil para a época em quevivemos, pois que ainda hoje os homens possuem os mesmos procedimentose as mesmas visões.

Comopodemos observar, Jesus explica, de uma forma clara, o caráter paternalda Inteligência Suprema, confirmando de forma patente o Seu amor e aSua misericórdia, desmantelando de forma solene a crença do inferno edas penas eternas. Da mesma forma, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (1) encontramos um ensinamento semelhante:

“Quantose quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela suaimprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-secom o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seuinfortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidosnaquilo em que erraram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque ésinfinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los,desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para Ti.”

Podemosconsiderar o número cem como símbolo da totalidade dos seres quecompõem todas as humanidades espalhadas pelos inúmeros mundosintegrantes das diversas moradas da casa do Pai, e a ovelha desgarrada como sendo aquele espírito rebelde que, por ignorância ou de forma deliberada, infringe as Leis Divinas.

E por falar em Leis divinas, vamos tecer um pequeno comentário sobre elas:

No O Livro dos Espíritos(2), os Espíritos superiores nos instruem dizendo que a lei natural é alei de Deus. Que ela é única e verdadeira para a felicidade do homem, elhe indica o que deve ou não fazer, e que ele é infeliz somente quandose afasta dela. Dizem também que a lei de Deus está escrita naconsciência do homem.

Podemosconsiderar que o pastor dessas ovelhas é aquele espírito capaz a quemDeus elegeu como responsável pelo planeta Terra. E a ovelha perdidacomo sendo aquela que, ao ver as ervas tenras, saborosas enutritivas de certas regiões, e tendo apetite, instintivamente se senteatraída, afastando-se cada vez mais do pastor e das demais ovelhas -não conseguindo mais ouvir a voz do pastor que a chama de volta aoaprisco, e, sendo tarde, se perde. Deixa-se seduzir pelo “mundo”; andando atrás de gozos e conquistas unicamente materiais,se afiniza com maus hábitos que se degeneram em vícios; entrega-se atodas as ordens de paixões exorbitantes; que, movido pelo desejo deriquezas e poder, de glórias e honras, dirige-se deliberadamente, namaioria das vezes, pelos caminhos do crime, desorienta-se em tãotortuoso labirinto; e grita desesperado quando não sabe maiscomo voltar à companhia de seus irmãos situados num plano melhor. Énessa hora, quando se lembra de seu passado vivendo junto ao rebanho,em paz e harmonia, que se arrepende e suplica a Deus pelo retorno,desejoso de reparar o seu mal proceder. É quando ouve novamente a vozdo bom pastor fazendo-o lembrar da existência dessa lei.

Essaparábola assegura que ninguém ficará perdido para sempre, pois que “obom pastor”, dá a própria vida pelas suas ovelhas (João, 10:11);sendo assim, esse bom administrador de almas irá naturalmente à procuradaquele espírito até que o ponha a salvo. Mas há uma condição para isso: é a observação da Lei que lhe está inscrita na própria consciência. Contudo, esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever unicamente o amor e a caridade.

Podemosobservar nesta parábola, que a sua lição é clara e objetiva, pois queDeus faz tudo que o grau de elevação do homem que cai permite, nosentido de direcioná-lo para um bom caminho. De tal modo Jesus foibuscar Madalena à beira do abismo de seus enganos morais; e ela, aceitando a mão do bom pastor, voltou com ele e se pôs a serviço do bem.

OMestre Jesus também chamou a atenção de Judas Iscariotes sobre ocaminho perigoso que escolhera para trilhar, respeitando-lhe olivre-arbítrio. Os enviados de Deus fazem o mesmo com aqueles que sevêem defrontados com problemas doentios do crime, da intemperança e darevolta, aguardando sempre o momento certo para chamá-lo de volta aoconvívio dos demais.

Umoutro bom exemplo para entender ainda mais esta parábola é a passagemda estrada de Damasco, quando Jesus se mostrou em forma de luz econvidou Paulo de Tarso a abandonar o ódio e o fanatismo em que estavaarrolado e adentrar na boa senda. Podemos dizer que este chamado nãofoi formulado somente ao futuro apóstolo daqueles consideradosincivilizados (gentios), mas para toda a humanidade, a reconhecer e sereconhecer como espíritos de naturezas diversas e com caracteresantagônicos. A arte é conviver com os hostis, estando alegres, mas comaquela alegria de uma boa consciência semelhante a ventura do herdeiroque conta os dias que o aproximam da herança de estar no reino de Deus.

OsBons Espíritos a trabalho do Pai do Universo alegram-se quandoconseguem fazer com aquele que está confuso ou envolvido nos enganosmorais deixe de trilhar o mau caminho e se decida a mudar de rumo, indopercorrer a seara do Bem, em benefício de seu reajustamento; regozijam-se ainda mais quando esta ovelha recuperada passa a colaborar com eles nos trabalhos do amor e da caridade.

Autor: Maria Luiza Palhas

BIBLIOGRAFIA e NOTAS:

(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo (Allan Kardec) – cap. XXVIII – Oração dominical

(2) O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) – livro terceiro, cap. 1, q. 614 e seguintes,

E mais

Parábolas Evangélicas. Rodolfo Calligaris – FEB – 5ª edição –

As Maravilhosas Parábolas de Jesus – P. A. Godoy – FEESP – 3ª edição –

Novo Testamento – Evan. Lucas e João – Tradução João Ferreira de Almeida.

Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

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2 comentários sobre “A Parábola do Bom Pastor

  1. PARABÉNS! O COMENTÁRIO DO BOM PASTOR É MUITO SIGNIFICATIVO, MUITO IMPORTANTE. POIS SABEMOS QUE O MUNDO VAI MELHORAR QUANDO CADA UM DE NÓS NOS TORNARMOS MELHORES. O ARREPENDIMENTO SINCERO E VERDADEIRO, DEUS ESTÁ SEMPRE NOS ESTENDENDO AS MÃOS. POIS JESUS NOS DISSE: “NENHUMA OVELHA DO MEU PAI SE PERDERÁ”!

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